quarta-feira, 16 de julho de 2008

Carta de Santa Maria


Carta de Santa Maria 2008

16 de julho de 2008

Fonte: Comissão de elaboração da Carta de Santa Maria 2008

Há 15 anos a cidade de Santa Maria, Coração do Rio Grande do Sul/Brasil, acolhe empreendimentos solidários, entidades parceiras, movimentos populares, no maior evento do cooperativismo alternativo do Rio Grande do Sul e do Brasil. Trata-se de um processo inovador que tem como características a valorização dos saberes e práticas das populações empobrecidas, o trabalho em mutirão, o respeito às diversidades, a rede de parcerias, o cuidado com o meio ambiente, o protagonismo de grupos solidários desde o seu processo desde a preparação até a sua realização. Iniciada em 1994, em meio às dificuldades e desafios da época, a Feira foi se firmando como processo, ultrapassando as fronteiras de um simples evento. “A semente jogada à beira do caminho deu muitos frutos”.
Assim é a história das Feiras de Santa Maria – uma semente pequena, plantada e cultivada por muitas mãos. Semente que deu frutos e tornou-se sementeira de outras alternativas solidárias em vários estados e países. Ao longo desses anos a Feira se constituiu como espaço de formação, troca de experiências, intercâmbio, articulação e estímulo ao comércio justo e consumo solidário, tendo como fio condutor os princípios da organização, cooperação e solidariedade. Nos últimos quatro anos, a Feira foi assumida como compromisso do Mercosul, com vistas ao fortalecimento do trabalho em redes e da integração entre os diferentes países na luta por um outro modelo de desenvolvimento solidário e sustentável e construção de uma sociedade socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sadia, organizadamente solidária e cooperativada, politicamente democrática.
No ano em que a cidade de Santa Maria completa 150 anos, participaram da 15ª Feira, 750 empreendimentos expositores e 150 empreendimentos visitantes, 250 entidades apoiadoras, 400 municípios, 27 estados, 25 países, diversas universidades e dioceses. A programação da Feira contou com 12 seminários temáticos: Seminário Nacional da Comercialização Solidária e Políticas Públicas; Seminário Estadual da UNICAFES do Rio Grande do Sul; Seminário Nacional do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA); Seminário Internacional de Economia Solidária e Comércio Justo; Seminário Internacional: Exclusão, Desenvolvimento Solidário e Sustentável; Seminário Internacional da Reforma Urbana, Economia Solidária e Políticas Públicas; Seminário Internacional Mobilizador e Preparatório ao Fórum Social Mundial (FSM); Seminário Internacional da Cáritas Latino Americana; Seminário Nacional dos Catadores/as; Seminário Nacional de Reconversão do Tabaco: “Por um mundo sem tabaco”; Seminário Internacional das Lutas do Campo; Seminário Nacional: Trocas Solidárias e Consumo Consciente.
Também destaca-se na programação destaca-se a 4ª Caminhada Internacional e Ecumênica Pela Paz, o 3º Levante da Juventude - 25 anos da Juventude Rural (PJR/RS), 8ª Mostra Permanente da Biodiversidade, Lançamento do Banco das Sementes Crioulas Comunitárias da Região Central – Chico Mendes e 3º Show Sepé Tiarajú e os Povos Guaranis. Todos esses eventos foram mediados por artistas da caminhada totalizando 25 apresentações culturais no palco central da Feira que se transformou num território festivo da solidariedade, da globalização da esperança e da justiça, para “UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL”.
O espaço sagrado do Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter acolheu, no período de 11 a 13 de julho de 2008, a realização da 15a. FEICOOP. Sob a coordenação da Diocese de Santa Maria - Projeto Esperança/Cooesperança, Prefeitura Municipal de Santa Maria, e Cáritas, com mais de 60 comissões de trabalho, articulou dezenas de atores: empreendimentos solidários, fóruns de economia solidária, organizações de assessoria e fomento, movimentos sociais populares, universidades, governo municipal e federal, entre outros. Neste território sagrado - porque nasceu da luta, da organização, do apoio, da parceria e da participação de muitos atores -, combinou-se a comercialização com o esforço de elaboração de um projeto sócio-político popular. Tornou-se um espaço inclusivo de trocas de bens produzidos solidariamente e serviços essenciais ao bem viver do povo, integrando os(as) trabalhadores(as) do meio rural e urbano, diversos povos e etnias, valorizando relações igualitárias de gênero. Neste processo integrado e integrador destacaram-se, mais uma vez, as trocas culturais, políticas e de saberes populares e acadêmicos oportunizando, a todos os envolvidos, uma experiência aprendente e ensinante.
A Feira incidiu efetivamente na conquista de recursos públicos afirmando caminhos para consolidação de políticas públicas estruturantes para os(as) trabalhadores(as). Desta maneira, saímos daqui fortalecidos(as), mais preparados(as) para articular a construção da existência, aqui e agora, com um projeto político de desenvolvimento solidário e sustentável, e assim contribuir na transformação da realidade global enfrentando a lógica do capitalismo. Como resposta ao modelo capitalista - que torna a vida e os bens essenciais em mercadoria e objeto de lucro -, a Feira contrapõe-se à lógica dominante e fortalece a luta em favor dos Patrimônios da Humanidade: a Terra, a Água, a Semente, o Ar, que, juntamente com o Fogo, são a energia e a vitalidade do Planeta Terra a serviço da Vida e da Esperança dos Povos. O cuidado com a água, a distribuição justa da terra, o resgate da Semente Crioula, o cuidado com o Meio Ambiente, fortalecem a Vida, o Planeta Terra e a Segurança Alimentar Nutricional Sustentável, para que os “Povos tenham Vida em abundância”.
A construção processual e realização participativa da 15a Feira Estadual do Cooperativismo e eventos que se congregam são fios que integram a rede do Fórum Social Mundial, cuja metodologia participativa, autogestionária, interativa e transformadora inspirou a dinâmica da Feira, constituindo, pela sua dinâmica e resultado, um rico espaço de formação integral. Fortalecem-se, deste modo, as Redes de articulação da América Latina com outros continentes na difusão de um projeto de emancipação dos setores excluídos, os descartados pelo mercado capitalista, na perspectiva de “UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL” e de “UMA OUTRA ECONOMIA QUE ACONTECE”.
Em síntese, o diferencial que caracteriza a 15a FEICOOP aparece, entre outros, nos seguintes elementos: a) sua forma de organização integrada, articuladora e interativa; b) a sintonia com o Programa Nacional de Feiras de Economia Solidária; c) a prática do mutirão permanente; d) a força das Comissões na construção e realização da Feira; e) a presença e apoio das parcerias; f) a sua amplidão Cultural; g) a valorização da Formação; h) a sintonia da cidade de Santa Maria em torno do Evento; i) a ausência do cigarro, refrigerante e bebida alcoólica; j) a água, como um Patrimônio da Humanidade, não é comercializada; l) a integração das etnias, dos Países e dos Continentes; m) a presença das diferentes idades (crianças, jovens, adultos e pessoas da 3ª idade); n) o clima de PAZ, Segurança e Integração; o) a participação dos Movimentos Sociais e Pastorais Sociais; p) o apoio da Imprensa.
Como resultado dos debates desenvolvidos durante a Feira, nós participantes assumimos os seguintes compromissos: - Organização dos empreendimentos que compõem as redes da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária-UNICAFES e União e Solidariedade das Cooperativas Empreendimentos de Economia Solidária do Brasil-UNISOL; - Criação de mais incentivos aos empreendimentos para inclusão das cooperativas e dos empreendimentos no processo da economia solidária; - Luta pela extinção dos tributos (CNPJ) para o cooperativismo passando a contribuição para o imposto de pessoa física; - Adequação da legislação cooperativista às necessidades atuais das cooperativas da agricultura familiar; - Convocação dos municípios a participarem do SUASA (Sistema Unificado de Atenção a Sanidade Agropecuária); - Adesão dos movimentos sociais aos programas de garantias de direitos dentro da proposta do SUASA; - Controle de qualidade dos produtos; - Conhecimento e divulgação da legislação 2007-2010 da SUASA; - Busca, através da educação, de caminhos para transformar a realidade e construir cidadania em um espaço onde todos(as) tenham oportunidades de direitos; - Implantação uma economia feminista onde a mulher tenha reconhecimento de sua força de produção e que seu trabalho seja reconhecido como parte integral da economia; - Igualdade de direitos sem distinção de gênero e raça; - Incentivo à formação e à capacitação de lideranças afro-descendentes para que possam atuar nas diferentes políticas públicas; - Desenvolvimento da economia solidária com a comunidade negra garantindo-lhes uma produtividade geradora de inclusão e sustentabilidade; - Reforma agrária como garantia para vida no campo; - Direito à educação do povo indígena; - Que as Feiras de Economia Solidária sejam um exemplo de coleta seletiva e consumo consciente de produtos descartáveis; - Divulgação nas Feiras de Economia Solidária da riqueza do material descartado pelo excesso de consumo; - Educação Ambiental como instrumento de conscientização para um mundo sustentável; - Incentivo de práticas que consolidem um modelo econômico e social focalizado em redes de relações comunitárias; - Proposição de políticas públicas que busquem o desenvolvimento e o fortalecimento de um mundo mais justo e solidário; - Garantia do controle social das políticas públicas incluindo a garantia dos direitos aos trabalhadores; - Preservação da forma cultural de cada país nas relações comerciais internacionais; - Defesa do maior acesso à diversidade alimentar pelos povos; - Agroecologia para fortalecer a alimentação sustentável; - Combate à produção dos transgênicos e ao monopólio dos grandes mercados; - Combate à pressão da mídia em relação à alimentação infantil sem qualidade; - Restrição da posse de terra para os estrangeiros; - Elaboração de políticas públicas de acordo com a economia solidária; - Rompimento com a visão ingênua da realidade (conformismo e pobreza); - Desenvolvimento de programas habitacionais que evitem o retorno às áreas de ocupação; - Rompimento do monopólio da Universidade como produtora de conhecimento (este deve ser uma co-produção através do mutualismo sociedade e universidade). - Formação e capacitação dos empreendimentos para melhor compreensão do modelo neoliberal.
- Incentivo à diversificação da agricultura familiar na cultura de alimentos; - Aumento do número de famílias atendidas pelo Programa Nacional de Reconversão ao Tabaco; - Ampliação da utilização dos produtos orgânicos como alternativa à cultura do tabaco; - Priorização da produção, consumo e comercialização, de acordo com as diferentes culturas regionais; - Resgate de heranças tradicionais através das sementes crioulas; - Integração dos diversos movimentos sociais; - Defesa da juventude como sujeito de direitos, com força, voz e vez nas políticas públicas nacionais; - Construção de um projeto popular para o Brasil, onde a juventude seja protagonista junto com os movimentos sociais organizados. - Divulgação nacional e regional da idéia de trocas com uso de moeda social.
Estes são compromissos da 15ª Feira Estadual de Cooperativismo de Santa Maria para a Economia Solidária e para o 8º Fórum Social Mundial que se realizará de 27 de janeiro a 1° de fevereiro na cidade de Belém, onde esta deixará de ser a capital do Pará para se tornar o centro de toda a Pan-Amazônia e do Mundo. Durante seis dias, Belém, a capital do Pará, no Brasil, assumirá o posto de centro de toda a região para abrigar o maior evento altermundista da atualidade que reunirá ativistas de mais 150 países, em um processo permanente de mobilização, articulação e busca de alternativas por um outro mundo possível, livre da política neoliberal e de todas as formas de imperialismo.
Muito mais de um território para abrigar o FSM a Amazônia, representada por seus povos, movimentos sociais e organizações, será protagonista no processo e terá a oportunidade de fazer ecoar mundialmente suas lutas, além de tecer alianças continentais e planetárias. O FSM 2009 Amazônia será guiado por três diretrizes estratégicas: ser efetivamente um espaço onde se constroem alianças que fortalecem propostas de ação e formulação de alternativas; ser hegemonizado pelas atividades autogestionadas; e possuir um claro acento pan-amazônico.
Por fim, sintonizamos com o sonho e a bênção de Dom Ivo Lorscheiter, o Profeta e Gigante da Esperança e Cidadão do Mundo, que teve um papel fundamental na atual Feira que fortalece o trabalho, a mística, a organização popular e as políticas públicas. E sigamos o seu apelo: “VÁ E ENVOLVA O MUNDO NA ESPERANÇA”!

Neste espírito convidamos todas e todos para a 16ª. FEICOOP que será realizada nos dias 10 a 12 de julho de 2009.

Santa Maria 13 de julho de 2008.

Festa de 5 Anos do IVOZ




Mais informações:

http://www.ivoz.og.br/

Grande Final do Harmônicas Batalhas



Grande Final do Projeto Harmônicas Batalhas Breaking CrewsCom os finalistas das etapas classificatórias, que desde março percorreu diferentes regiões da área metropolitana da Cidade de São Paulo. O projeto realizado com apoio do PAC Hip Hop da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e parceiros, mobilizou as Crews por onde passou e constitui uma rede de artístas e colaboradores em suas ações, valorizando a cultura Hip Hop através do elemento Breaking e seus protagonistas.
Data: Sábado, 26 de Julho de 2008Local: Tendal da LapaRua Constança nº 72 - Lapa - São Paulo
A partir das 13:00Hs altura do 1.100 da Rua Guaicurus,perto do Terminal da Lapa e da Estação Ciência
Mais informações:



segunda-feira, 14 de julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008




Criação, desenvolvimento e implementação de 9 programas de inclusão social, beneficiando quase 500 mil pessoas:


Programa Renda Mínima, beneficiando 323.792 famílias carentes. - Programa Bolsa Trabalho, que investiu na cidadania e na qualificação profissional de 63.471 jovens desempregados. -


Programa Operação Trabalho, que forneceu renda, capacitação e atividades práticas em órgãos municipais a 20.553 pessoas, desempregadas há mais de oito meses. -


Programa Começar de Novo, oferecendo capacitação e oportunidade profissional para 58.925 desempregados acima dos 40 anos. -


Programa Oportunidade Solidária, estimulando a economia popular, que beneficiou 19.209 pessoas. -


Central de Crédito Popular – São Paulo Confia, que emprestava dinheiro à população de mais baixa renda, com taxas de juros abaixo das praticadas pelo mercado, beneficiando 22.960 pessoas. -


Programa Capacitação Ocupacional, que ofereceu cursos voltados para as atividades assalariadas, autônomas, comunitárias e profissionais, beneficiando 116.636 pessoas. -


Programa Desenvolve São Paulo, que fomentou a formação de cadeias produtivas, através de cooperativas e da recuperação de empresas falidas ou em dificuldades, mediante a promoção de fóruns setoriais. -


Programa São Paulo Inclui, com objetivo de organizar o mercado de trabalho e oferecer alternativas de demanda de ocupação e negócios, por meio da criação de um serviço de alocação de mão-de-obra e de intermediação de oportunidades, beneficiando 5.740 pessoas.
Mais Informações: http://www.marta13.can.br

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Projeto de Azeredo (PSDB) torna qualquer internauta num Fora da Lei

Legislação de crimes virtuais torna internauta um fora-da-lei, diz
Você já desbloqueou um celular para usá-lo com outra operadora? Verifica a autorização de sites antes de acessá-los? Já enviou fotos pela Internet?
Atire a primeira pedra quem nunca fez nada disso (sem entrar em pequenas 'contravenções' que quase todo mundo faz como baixar músicas da Internet ou copiar um texto da Internet em seu blog, por exemplo). Com o projeto de lei aprovado ontem no Senado, todas essas ações serão consideradas crimes com pena de prisão de até seis anos.

"A redação da lei é muito ampla e pode abranger diversos casos. A interpretação do que é ou não crime será de um juiz criminal, acostumado a lidar com homicídios e não com tecnologia", diz Ronaldo Lemos, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV (Fundação Getúlio Vargas) do Rio de Janeiro.

Segundo ele, o projeto de lei é "muito ruim" porque foi vendido como um projeto de combate à pedofilia, mas apenas um de 20 artigos trata de crimes contra a criança. "O que acontece em todo o mundo é uma regulamentação civil e o que não é controlado assim vai para a esfera criminal. O Brasil está andando no caminho contrário, criminalizando as ações".

André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e um dos idealizadores da petição contra a lei, diz que o usuário comum ficará com a sensação de ser vigiado e não saberá se o que está fazendo é legal ou não.

"Por exemplo, se eu disseminar um vírus sem saber, poderei ser preso? Posso trocar arquivos entre meus pares mesmo em redes P2P (minhas fotos, minhas músicas, meus arquivos de textos) sem pedir autorização prévia? Como os provedores vão interpretar essas trocas? Posso copiar uma parte do texto de um blog e colar no meu? Ou seja, ela cria um sentimento de insegurança e de medo generalizado".

"Hoje baixar uma música não é considerado crime, é um ato ilícito punido com indenização, mas com a nova lei, com as diversas possíveis interpretações da lei, pessoas podem ser penalizadas e presas", lembra Ronaldo.

Provedores podem impedir que o internauta acesse um determinado site por não querer atividades "ilegais" no seu sistema, diz André. Com isso, ele impediria a troca de arquivos legalmente também. "Acho que essa lei é um atalho para a quebra da neutralidade da rede no Brasil, ao impedir acesso a esses e outros sites julgados (pelo provedor?) suspeitos".
Autorização expressa?

Em relação ao acesso a sites, o problema toma proporções ainda maiores. "O projeto diz que cabe ao 'legítimo titular conceder ou não a autorização' de acesso do site, por exemplo. A lei, então, entrega para o dono da página ou da rede a capacidade de redigir a lei penal", afirma Ronaldo.
Se nos termos de uso, uma pessoa colocar que seu site só pode ser visualizado das 7 às 15 horas e alguém acessá-lo fora deste período, ela pode pegar de 1 a 3 anos de prisão e pagar multa. O projeto de lei também não especifica o que é a "expressa restrição de acesso".

"Se nada estiver especificado nos termos de uso do site, pela lei de direito autoral, a reprodução do conteúdo, mesmo mencionando a fonte, será punida", diz Ronaldo. Além disso, ele destaca que o projeto não diz se a autorização deve ser jurídica, legal ou tecnológica.
A prática corrente trocar informações, citar e copiar partes de um conteúdo seria prejudicada. "Essa é uma prática criativa, mobilizadora, enriquecedora. Mas a lei exige que o usuário tenha um autorização antes de usar. Isso iria, bloquear os diversos usos da internet e tornar mais lenta, senão impossível, a troca de informações, o debate público", diz André.
Lei aplica-se a qualquer dispositivo de comunicação

O projeto de lei criminaliza, por exemplo, o simples acesso a sites. Mas a lei não trata apenas de Internet, qualquer dispositivo de comunicação —como celulares, MP3 players, videogames e conversores de TV digital— está inserido na lei. Alterá-los sem autorização do fabricante pode dar cadeia.

Ao desbloquear um celular para usar chip de outra operadora ou transferir músicas não autorizadas pelo fabricante, o usuário está violando a "segurança de dispositivo de comunicação", o que é categorizado na lei com crime.

Quem desbloqueia o iPhone, por exemplo, pode pegar pena de 2 a 4 ano e pagar multa segundo a nova lei. "Alterar o aparelho é 'funcionamento desautorizado do legítimo titular' previsto na lei", explica Ronaldo.

Ele diz que nos EUA, onde a legislação é severa, a lei expressamente permite o desbloqueio de aparelhos. "Você compra o aparelho e ele passa a ser seu, o usuário não tem que seguir regras do fabricante".
Assine a petição pelo debate transparente do PL:

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Por uma política econômica indutora do crescimento e do emprego!

Rosane Silva,

A CUT, em parceria com a Coordenação dos Movimentos Sociais realizou no último dia 19 de junho, em frente ao Banco Central, um ato contra o aumento das taxas de juros e por mais desenvolvimento para o país.

O aumento da taxa de juros faz parte de um modelo de política econômica de menos investimentos em políticas públicas, maior taxação de artigos consumidos pela população pobre, e, consequentemente, aumento das desigualdades sociais. Tal modelo é sustentado pelo argumento de que não há uma outra alternativa na política econômica, ou seja, de que não existe uma política econômica de direita, de esquerda ou de centro. Existe a política certa, tecnicamente fundamentada, neutra; e a política errada, irresponsável, utópica, ingênua. Esta afirmação, no entanto, esconde atrás de sua aparente tecnicidade e neutralidade a garantia de interesses muito específicos – a valorização financeira frente à valorização produtiva.
Além disto, a manutenção da atual política econômica significa seguir assumindo riscos com relação à estabilidade econômica do país, uma vez que qualquer mudança no mercado financeiro mundial pode desencadear um processo de hiperinflação da economia brasileira. Situação a qual já estamos vivenciando atualmente, especialmente no que diz respeito ao preço dos alimentos, que registrou reajustes da ordem de 14,17% segundo o Dieese.
Neste cenário, os prejuízos são repassados principalmente à classe trabalhadora, e nós, as mulheres trabalhadoras, somos ainda mais afetadas.
A prioridade de investimento no mercado financeiro, seguida do ajuste fiscal para garantir o superávit primário, acaba por retirar orçamento para as políticas públicas. Com a diminuição das políticas sociais por parte do Estado são as mulheres que terminam por ser responsabilizadas por estas, principalmente pelas relacionadas à reprodução e cuidado da vida humana. Assim, na medida em que o Estado deixa de ser o responsável pelas políticas que garantam a sustentabilidade humana, se reproduz e se acentua no interior da sociedade a divisão do trabalho entre homens e mulheres, responsabilizando e sobrecarregando as mulheres por este trabalho.
Outro aspecto do impacto da alta dos juros e do aumento dos preços dos alimentos diretamente prejudicial na vida das mulheres diz respeito à diminuição da possibilidade destas em usufruírem de seu orçamento em benefício próprio.
De acordo com a pesquisa “Mulheres do Brasil – Comportamento de Consumo”[*], 59% das mulheres dão preferência à família na hora da compra. Ou seja, as mulheres recebem salários cerca de 30% menores do que os homens (Dieese), e gastam a maior parte deste com as despesas familiares. Com o aumento de preços dos artigos de primeira necessidade, caso dos alimentos, quem arcará com este acréscimo de gastos para suprir as necessidades básicas da família serão os já reduzidos salários das mulheres.
E é no sentido de revertermos essa situação, que a CUT trás em sua agenda a Jornada pelo Desenvolvimento, ressaltando a importância da classe trabalhadora estar em luta por um modelo de desenvolvimento para o país com o Estado forte, com distribuição de renda e valorização do trabalho.
O engajamento das trabalhadoras nesta discussão sobre modelo econômico e de desenvolvimento para o país é fundamental, exatamente porque seus desdobramentos interferem direta e diferentemente na vida das mulheres. A reivindicação por maior participação política e poder às mulheres relaciona-se, assim, diretamente com esta questão, uma vez que é somente com a presença das mulheres em todos os espaços, inclusive nos de debate e de formulação sobre política econômica, que poderemos construir uma luta que contemple a classe trabalhadora como um todo, homens e mulheres.
E para diminuirmos as desigualdades sociais e também as desigualdades entre homens e mulheres, precisa ser a hora e a vez da política econômica indutora do crescimento e do emprego!

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[*] Pesquisa “Mulheres do Brasil – Comportamento de Consumo”, 2007, realizada por Rohde&Carvalho Diagnóstico e Pesquisa.
Rosane da Silva é secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT

quarta-feira, 25 de junho de 2008

ECOSOL e Software Livre: Compartilhar para Transformar

Por Dione Manetti
Com o mundo ao alcance de um clique, a economia capitalista dispõe de tecnologias sofisticadas para escolher as formas mais proveitosas de alocar seus recursos, de acordo com a oscilação dos mercados. “É a globalização”, diriam os mais simplistas. Proferida aos quatro cantos, sob as mais variadas retóricas, a globalização virou palavra da moda.Diariamente ela perambula pela mídia, ornamenta discursos políticos, polemiza conversas de bar, está presente nos tratados sociológicos e nas defesas acadêmicas. No entanto, como grande parte das construções teóricas neoliberais, a idéia da globalização parece não considerar a vida concreta das pessoas. Enquanto o seu ideário é implementado na perspectiva da acumulação para os que detêm o poder econômico, os indivíduos sentem suas conseqüências na pele, na dura labuta do dia-a-dia, nas inúmeras formas de segregação.A globalização que queremos se contrapõe frontalmente àquela, proposta pelos neoliberais. Mas, para construir esta globalização que desejamos é preciso mais do que boas idéias. São necessárias ações concretas que viabilizem oportunidades para as pessoas, como, por exemplo, o acesso às novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).E nesse campo nosso desafio ainda é muito grande. Dados do Ibope NetRatings mostram que no último mês de abril 22,8 milhões de brasileiros usaram a internet residencial. Embora seja constatado crescimento no acesso a cada pesquisa, ainda estamos abaixo do patamar verificado nos países desenvolvidos e continuamos condicionados ao uso de aplicativos de um único monopólio, o que aumenta sensivelmente o custo de equipamentos. Então, não é difícil imaginar que a diferença no acesso esteja relacionada ao bolso do (a) trabalhador (a) brasileiro (a).Para ajudar a reverter esse quadro, o Governo Federal tem lançado mão de políticas públicas de estímulo ao uso de computadores com sistema operacional livre. Uma estratégia que tem se mostrado eficaz, no âmbito do governo, é a parceria da economia solidária com o movimento pró-software livre. Além de combater a exclusão digital, essa parceria gera trabalho, renda e contribui para o desenvolvimento local.De um lado, o uso de tecnologias livres amplia o fluxo de informação entre as redes colaborativas dos empreendimentos econômicos solidários e, de outro, os profissionais do software livre fortalecem sua organização a partir da autogestão e passam a fornecer serviços e suporte em tecnologia para grupos da economia solidária.Além de viabilizar a oferta de computadores a preço mais acessível, o software livre possibilita que as pessoas compartilhem conhecimentos. Diferente do sistema proprietário, que utiliza códigos fechados e secretos, no software livre as pessoas podem melhorar os programas disponíveis e depois oferecê-los a todos por meio da internet. "Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. “É uma questão de liberdade, não de preço”, como fazem questão de destacar os integrantes desse movimento.Acostumados a utilizar sistemas operacionais proprietários, como o Windows, os usuários desavisados costumam oferecer resistência ao software livre. É o que os ativistas das tecnologias livres chamam de “apego à zona de conforto”. Ora, nada mais natural que encontremos alguma dificuldade inicial. É exatamente o que acontece quando trocamos um modelo de televisão ou de telefone celular ao qual estamos acostumados, por outro, que desconhecemos.Apesar disso, quando questionamos os “efeitos colaterais” de fazer a opção pelo mais “fácil” e ousamos nos aventurar pelo mundo do software livre, percebemos que as vantagens desse sistema vão além da sua filosofia. O acesso a internet através de navegadores livres é mais rápido e seguro. Além disso, atualmente, os aplicativos livres (como OpenOffice.org) reconhecem e abrem, sem problemas, os arquivos com formatos proprietários de editores de texto e planilhas dos aplicativos proprietários.Infelizmente, empresas de softwares proprietários não têm a mesma preocupação em facilitar a convergência entre os dois modelos. O motivo, sabemos de cor: ao longo dos anos, o capitalismo tem se valido das formas mais traiçoeiras de cerceamento intelectual para fortalecer a lógica dos monopólios. Conectadas on-line 24 horas, as grandes empresas aprenderam habilmente a trabalhar juntas quando o negócio é obter vantagens para acumular riquezas.Mas globalizar só o lucro não vale. Para a economia solidária e o software livre, a idéia de um mundo ao alcance das mãos é calcada na troca, na valorização do ser humano e na colaboração. A integração orgânica desses movimentos é oportuna e estratégica. Afinal, ambos são regidos pelo princípio do trabalho coletivo e buscam o empoderamento do indivíduo na construção de uma sociedade mais democrática, justa e igualitária. Nada tão coerente quanto trilharmos esse caminho juntos.

Dione Manetti é diretor de Fomento da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE) e usuário de software livre.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Lançamento do DVD Da Quebrada pra Estrada


É Sábado, 10 de Novembro
LANÇAMENTO DVD - Da Quebrada Pra Estrada
19h as 22h Programação Gratuíta:
Video projeções DVD
Exposição de Fotos
Transmissão Second Life
Debate-Papo Construção de Redes e Artivismo
* Participando da Programação Gratuíta Não Paga a Festa!!
Após 22h Grande Festa
SetsDJs, Apresentações Musicais, Sorteio de DVDs, Dança de Rua, Sets Mcs

$5 - Lista/Flayer - http://br.f526.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=rededaquebrada@gmail.com
$10 - Portaria

Local:
Centro Cultural Popular Consolação, 1901
próximo ao Metrô Consolação

Realização:
Instituto Voz
VAI - Lei de Valorização a Iniativas Culturais
Prefeitura da Cidade de São Paulo - Secretaria de Cultura
Projeto Graffiti com Pipoca

Apoio:
Prefeitura da Cidade de São Paulo - Secretaria da Educação
CEU - Centro de Educação Unificada
Centro Cultural BradescoO Projeto a Quebrada Pra estrada mobilizou os grupos participantes do projeto Família nacional Coletivo(2004) e, por meio de parceiros com os centros de Educação Unificado - CEUs, promoveu a estrutura e interagiu com outros grupos das quatro regiões da cidade(Oeste, Norte, Leste, Sul).
Ao final do projeto realizou um evento com agremiações de todas as regiões da cidade de São Paulo o Largo do Paissandú e Galeria Olido.
Paralelamente a realização dos eventos buscou canais de diálogo com as comunidades locais aos eventos através de temas como os direitos humanos e formas de organização coletiva e cooperativa.
Construção de Redes e Ativismo Hip Hop
Vídeos Fotos MP3s PODCAST
4Élos, Afavel, Agner Rebouças, Ato de Fé, Black Birds, Black Lyre, Clã-Leste DJS, CLEM, Coletivo Precário, Contrabando Sonoro, Convicto, Dam Black Girls, DDR, De Quebrada, Discípulos do Gueto, Distúrbio SP, DJ Dani, DJ Duf Fee, DJ Luiz Lobato, DJ Noh, DJ Pac Jay, DJ Sandro, Duplo Pacto, Evolução Manos do Black, Família Nacional, Fusão Perfeita, Gorilaz Rock Crew, Instinto de Rua, IVOZ, Jeff Negreiro, L83, Las Pretas, Marginal Padrão, Matheus Subverso, Max Musicamente, Michel Onguer, MOL, Nando Força Ativa, Olho da Rua, Orientação MC´s, Piração.com, Projeto Graffiti com Pipoca, Projeto Hip de la Hop, Protesto Verbal, QI do Gueto, Reflexão Popular, Resgate Mental, Rincon Sapiência, ROD-VEPEA, Sílvio – Edições Toró, Soul Break, Stilo de Vida, Stilo Loko, SUATITUDE, Subsolo, Teoria Suprema, The Black Bronw, The Black Power, Toroká, Vandré na Bae da Fé, Vozes da Noite, Willian

terça-feira, 28 de agosto de 2007

MTE fecha com a Microsoft

Microsoft captura Primeiro Emprego
Por Fátima Fonseca

Na contramão da opção do governo pelo uso de software livre, o Ministério do Trabalho faz convênio com a Microsoft. Na contramão da opção federal pelo uso de software livre e plataformas abertas, manifesta mais de uma vez pelo coordenador de inclusão digital do governo, Cezar Alvarez, o Ministério do Trabalho e Emprego anunciou, esta semana, convênio com a Microsoft para capacitação técnica de jovens de 16 a 24 anos, dentro do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego para Jovens (PNPE).

A multinacional estaria investindo R$ 4 milhões no fornecimento de licenças, treinamento de professores e material didático a todas às 24 ONGs que integram o Consórcio Nacional da Juventude, atuando com o Primeiro Emprego. O trabalho será desenvolvido pela ONG Oxigênio, indicada pelo MTE como entidade responsável pela coordenação e gerenciamento do programa.

A Oxigênio também é sede de um Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), programa de inclusão digital mantido pelo Ministério do Planejamento e que prevê profissionalização de jovens, em Guarulhos (SP).Representantes do Movimento do Software Livre pretendem solicitar uma audiência ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para questionar alguns aspectos do acordo. Por exemplo, os ativistas querem saber por que o software livre foi discriminado. Ou seja, por que o DPJ-Departamento de Políticas de Trabalho e Emprego para a Juventude (DPJ), não fez nenhum movimento para incluir o software livre como opção nos programas de capacitação do Primeiro Emprego. Também querem mais informações sobre o convênio firmado com a Microsoft, especialmente, sobre os valores investidos pela empresa (apenas em licenças?), e pelo governo federal (quanto ele iria gastar na comunicação com os jovens, na montagem dos ambientes, na divulgação do acordo).

Na verdade, considera-se inaceitável que sejam aplicados recursos públicos para disseminar cultura de uso do produto da maior fabricante de software do mundo.As 24 entidades envolvidas no programa tiveram convênios celebrados em 2005 com o MTE para execução do programa de qualificação, executados em 2006, e que teriam obtido uma média de 40% de inserção de jovens no primeiro emprego – ou seja, de 30.520 adolescentes de famílias carentes atendidos, 12.479 teriam conseguido emprego.

Mas a Economia Solidária vai de software livre

O mesmo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que acaba de formalizar acordo com a Microsoft para capacitar os jovens do programa Primeiro Emprego, deve anunciar, hoje, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, mais um acordo de parceria com o Casa Brasil – programa de inclusão digital gerido pelo ITI, da Casa Civil --, e com o Serpro, para a abertura de telecentros com software livre em todas as feiras e eventos de economia solidária apoiadas pelo governo.

A Secretaria, cujo titular é o economista Paul Singer, e o Casa Brasil começaram a desenvolver, no início deste mês, um amplo programa de capacitação técnica, que vai envolver 200 pessoas no país, entre bolsistas do Casa Brasil e agentes de economia solidária.A idéia é que os primeiros formem-se nos conceitos de economia solidária, e os segundos ganhem informação técnica no uso produtivo de ferramentas digitais com software livre. Serão cinco cursos (de cinco dias, em média), para turmas de 40 integrantes – os dois primeiros realizados este mês, e os demais acontecendo até outubro em diferentes capitais brasileiras. O Secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, no último Fórum Internacional do Software Livre (Fisl), fez uma entusiasmada defesa pública do desenvolvimento colaborativo, característico e apenas possível com plataformas abertas, que, na sua avaliação, guardava evidentes afinidades com os princípios da economia solidária. Considerando as duas ações – convênio com Microsoft, de um lado; e com Serpro e Casa Brasil, do outro – o Ministério do Trabalho faz lembrar a figura mítica de Jano, deus romano com dois rostos, um olhando para trás, outro para frente.

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