a) Notícia sobre a aprovação do Senado do PL de Cooperativas de Trabalho escrita pelo Dr. Marcelo Mauad (Assessor Jurídico Unisol-Brasil)
b) Parecer Favorável Senado Federal;
c) Sumário de Tramitação no Senado Federal.
Uma economia gerida e construída pela classe-que-vive-do-trabalho.
Comentário: No FSM 10 Anos, Porto Alegre e Bahia, foi aprovado a Carta dos Movimentos Sociais e convocam para o dia 31 de Maio, a Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais com o objetivo de construir um novo projeto de desenvolvimento para o país. Um desenvolvimento pautada nas conquistas dos trabalhadores (as) brasileiras (os). Na Carta dos Movimentos Sociais as pautas da ECOSOL discutidas e acumulados durante o I Fórum Social de ECOSOL foram incorporadas. Mostrando mais um passo importante na expressão da Economia Solidária como parte orgânica dos movimentos sociais, organizados em torno da Coordenação dos Movimentos Sociais.
Matéria Carta Maior:
Assembléia dos Movimentos Sociais encerrou atividades do Fórum Social Temático da Bahia, definindo uma plataforma de bandeiras unitárias e um calendário de lutas para o ano de 2010. Em debate, a construção de um projeto de país a ser apresentado no bojo do debate eleitoral como forma de orientar a atuação dos movimentos em uma disputa política mais ampla. A idéia é fazer um grande mutirão de debates, envolvendo estados, municípios e segmentos sociais.
Bia Barbosa
Com o intuito de consolidar uma plataforma de bandeiras unitárias e um calendário de lutas para o ano de 2010, cerca de 300 militante, de 15 organizações nacionais, participaram da Assembléia dos Movimentos Sociais, no encerramento das atividades do Fórum Social Temático da Bahia, neste domingo (31), em Salvador. No centro do debate, a construção de um projeto de país, que será discutido e apresentado no bojo do debate eleitoral como forma de orientar a atuação dos movimentos na disputa política mais ampla.
Reconhecendo o FSM como um espaço importante para contagiar corações e mentes para a idéia de que é possível construir outro mundo, com justiça social e democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais, a integração e a solidariedade entre os povos, os movimentos sociais apontaram, no documento resultante do encontro, os principais desafios para o próximo período.
"Essa crise abriu a possibilidade de se rediscutir o ordenamento mundial, os rumos da sociedade, o papel do Estado e um novo modelo de desenvolvimento. (...) Nosso continente, a América Latina, atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora. Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do imperialismo de mão beijada", analisam.
Eles lembram que o povo estadunidense elegeu Barack Obama em um grande movimento de massas, mas mesmo com Obama o imperialismo continua sendo imperialismo. No Brasil, reconhecem os avanços do governo Lula, mas afirmam que as Reformas estruturais capazes de enraizar as conquistas democráticas não foram realizadas e a grave desigualdade social está longe de ser resolvida. "Por isso, devemos lutar pelo aprofundamento das conquistas nesse período de embate político que se aproxima", aponta a Assembléia.
Entre as bandeiras unitárias da plataforma estão a luta contra os monocultivos predatórios, os desmatamentos e o latifúndio e em defesa da biodiversidade e dos recursos naturais como forma de preservação do meio ambiente; o combate ao machismo, ao racismo e à homofobia; a defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro; a luta contra o golpe de Estado em Honduras; a criminalização dos movimentos sociais e a solidariedade aos presos políticos do MST.
"A direita vai se aproveitar das eleições para justificar toda a repressão que faz contra os movimentos sociais. Precisamos estar unidos para este enfrentamento", avalia João Paulo Rodrigues, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
A solidariedade ao povo haitiano, diante do recente desastre ocorrido em virtude de uma seqüência de terremotos, também está entre as prioridades dos movimentos para o primeiro semestre. Além da ajuda solicitada ao governo federal pela Via Campesina, o objetivo é angariar apoio a ser entregue diretamente aos movimentos populares do país. "O Haiti foi a única revolução de ex-escravos que saiu vitoriosa. Por isso o imperialismo não a aceita. Já construímos a Frente dos Movimentos em Solidariedade ao Haiti e seguiremos reivindicando a retirada das tropas brasileiras do país, transformação a ação do Brasil em ajuda humanitária", explica Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado (MNU).
Um projeto soberano para o Brasil
A Assembléia dos Movimentos Sociais em Salvador aprovou ainda a construção de um projeto de desenvolvimento soberano, democrático e com distribuição de renda para o Brasil a ser apresentado pelos movimentos no bojo do processo de debate eleitoral deste ano. A idéia é fazer um grande mutirão de debates, envolvendo estados, municípios e segmentos sociais
"Não será um programa de governo, e sim uma plataforma dos movimentos sociais para uma disputa mais ampla, para que os movimentos influenciem nos rumos do nosso país", explica Rosane Silva, da Central Única dos Trabalhadores. "A Assembléia dos Movimentos Sociais foi importante para marcar a unidade dos movimentos neste ano eleitoral e enfrentar o debate para disputar hegemonia na sociedade", diz.
Já há consenso em relação a alguns pontos deste projeto, como a questão da reforma agrária, da redução da jornada de trabalho, e da legalização do aborto. Outros aspectos seguem divergentes, como o debate sobre o modelo energético do país e a reestatização de empresas como a Vale. O debate começa oficialmente no dia 31 de maio, em São Paulo, quando acontece uma Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais. Antes disso, as organizações já sairão às ruas na Jornada de comemoração dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de março, num calendário que seguirá em abril com a Jornada de mobilizações em defesa da Reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais; em maio com a celebração do Dia do Trabalhador; e em 1 de junho com a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora.
Leia abaixo a íntegra da carta aprovada na Assembléia dos Movimentos Sociais em Salvador.
ASSEMBLÉIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
Salvador, 31 de janeiro de 2010.
10 ANOS DO FSM - OUTRO MUNDO É POSSÍVEL E NECESSÁRIO
Nós, militantes de diversas organizações dos movimentos sociais reunidos no FSMT de Salvador, realizamos a Assembleia dos Movimentos Sociais com o intuito de consolidar uma plataforma de bandeiras unitárias e calendário de lutas.
O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico ao capital financeiro. Ao longo desses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela, Índia e Quênia, e outros países, levando a esperança de um mundo novo.
Foi dessa maneira que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a ideia de que é sim possível construir outro mundo com justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para a construção de uma nova conjuntura que valorize a integração e a solidariedade entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro de 2011.
Com o declínio do neoliberalismo e a crise do capitalismo os valores representados por esse sistema passam a ser questionados pela sociedade. Assim, o capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos de todo o mundo e suas soberanias, que explora o trabalhador e desestrutura o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura é agora visto com ressalvas.
A crise financeira mundial é uma crise do sistema capitalista. Ela expôs as contradições intrínsecas a esse modelo e quebrou as certezas e a hegemonia do mercado como um deus regulador das relações comercias e sociais. Essa crise abriu a possibilidade de se rediscutir o ordenamento mundial, os rumos da sociedade, o papel do Estado e um novo modelo de desenvolvimento. Porém, sabemos que esse momento pelo qual passamos é de profundas adversidades para a classe trabalhadora de todo o mundo em função das crises financeira e climática em curso. A consequência das crises é o aumento da desigualdade e por esse motivo reafirmamos o nosso desafio com as lutas e com a solidariedade de classe .
Nosso continente, a América Latina, atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora . Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do imperialismo de mão beijada. Não é à toa a promoção do golpe contra Chávez em 2002, em Honduras em 2009, a tentativa de golpe contra Lula em 2005 ou mesmo a desestabilização de Fernando Lugo que está em curso no Paraguai.
Ao mesmo tempo, as elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os monopólios de comunicação. Esses organismos funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Por isso ganham força os movimentos de cultura livre e as rádios e jornais comunitários que conseguem driblar o monopólio midiático.
O povo estadunidense elegeu Barack Obama em um grande movimento de massas carregando consigo as esperanças de superar a era Bush. Entretanto, mesmo com Obama o imperialismo continua sendo imperialismo. Os EUA crescem seu olho diante das grandes riquezas naturais do nosso continente, como a recente descoberta do Pré-sal. No mesmo momento em que os EUA reativam a quarta frota marítima também instalam mais bases militares na Colômbia e no Panamá , além de insistir no retrógrado bloqueio a Cuba.
Atentos a esses movimentos do imperialismo, os movimentos sociais reunidos no Fórum Social Mundial Temático em Salvador reafirmam seu compromisso com a luta por justiça social, democracia, soberania, pela integração solidária da América Latina e de todos os povos do mundo, pelo fortalecimento da integração dos povos, pela autodeterminação dos povos e contra todas as formas de opressão.
No Brasil, muitos avanços foram conquistados pelo povo durante os 7 anos do Governo Lula. O Estado foi fortalecido alcançando maior ritmo de desenvolvimento, a distribuição de renda e o progresso social avançaram com a valorização do salário mínimo e políticas sociais como o Bolsa Família, a integração solidária do continente foi estimulada. Porém, muito mais há para ser feito. As Reformas estruturais capazes de enraizar as conquistas democráticas não foram realizadas e a grave desigualdade social perpetrada por mais de 5 séculos em nosso pais está longe de ser resolvida. Por isso, devemos lutar pelo aprofundamento das conquistas nesse período de embate político que se aproxima.
Reafirmamos a luta contra os monocultivos predatórios, os desmatamentos, o uso de agrotóxicos que gera a poluição dos rios e do ar. Seguiremos na luta contra o latifúndio e em defesa da biodiversidade e dos recursos naturais como forma de preservação do meio ambiente, dos ecossistemas, da fauna e flora integradas com o homem.
Nos unimos no combate ao machismo, ao racismo e à homofobia. Lutamos por uma sociedade justa e igualitária, livre de qualquer forma de opressão, onde as mulheres tenham seus direitos respeitados e não sofram abusos e violências, os negros não sofram preconceito e saiam da condição histórica de pobreza que lhes é reservada desde os tempos da escravidão, os homossexuais tenham acesso a direitos civis e não sofram discriminação.
Sabemos que essas conquistas virão da luta do povo organizado. Por isso, convocamos todos os militantes a fazer um grande mutirão de debates envolvendo estados, municípios e segmentos sociais no intuito de construir um projeto de desenvolvimento soberano, democrático e com distribuição de renda para o Brasil. Só assim seremos capazes de aprofundar as mudanças que estamos construindo e derrotar a direita conservadora e reacionária do nosso país nas eleições que se avizinham.
Esse grito que expressa nosso anseio liberdade e mais direitos não poderia ser dado em lugar melhor. Estamos na Bahia, terra de todos os santos e de bravos lutadores, valorosos intelectuais e líricos poetas e artistas como a banda tambores das raças que abriu a Assembleia entoando versos que afirmam que:
Zumbi não morreu, está presente entre nós. Palmares referência que sustenta nossa voz.Liberdade, igualdade, revolta dos buzios, levante malês, herança ancestral que alimenta a união é a força pra vencer!
De Salvador conclamamos o povo brasileiro a lutar por um Brasil livre, independente, democrático e justo socialmente.
Para isso, o conjunto dos movimentos sociais brasileiros convoca a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio em São Paulo e definem as seguintes bandeiras de luta:
SOBERANIA NACIONAL
- Defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro;
- Pela retirada das bases estrangeiras da América Latina e Caribe;
- Defesa da autodeterminação dos povos;
- Pela retirada imediata das tropas dos EUA do Afeganistão e do Iraque;
- Pela criação do Estado Palestino;
- Contra os Golpes de Estado a exemplo de Honduras;
- Contra a presença da 4ª Frota na América Latina;
- Pela integração solidária da América Latina;
- Contra a volta do neoliberalismo
- Pelo fortalecimento do MERCOSUL, UNASUL e da ALBA;
- Pela democratização e o fortalecimento das forças armadas;
- Pela defesa da Amazônia e da nossa biodiversidade como patrimônio nacional.
DESENVOLVIMENTO
- Por uma política nacional de desenvolvimento ambientalmente sustentável, que preserve o meio ambiente e a biodiversidade, e que resguarde a soberania sobre a Amazônia brasileira.
- Por um Projeto popular de Desenvolvimento nacional com distribuição de renda e valorização do trabalho;
- Pelo fortalecimento da indústria nacional;
- Contra o latifúndio e os monocultivos que depredam o meio ambiente
- Em defesa da Reforma Agrária.
- Redução da jornada de trabalho sem redução de salários;
- Por políticas Públicas para a Juventude;
- Defesa de formas de organização econômica baseadas na cooperação, autogestão e culturas locais; - Pela alteração da Lei Geral do Cooperativismo e da conquista de um Sistema de Finanças Solidárias e Programa de Desenvolvimento da Economia Solidária (PRONADES), do Direito ao Trabalho Associado e Autogestionário, e de um Sistema de Comércio Justo e Solidário;
- Por um desenvolvimento local sustentável.
- Por Políticas Públicas de Igualdade Racial;
DEMOCRACIA
- Contra os monopólios midiáticos e pela democratização dos meios de comunicação.
- Contra a criminalização dos movimentos sociais;
- Em defesa da Cultura livre
- Pela ampliação da participação do povo nas decisões através de plebiscitos e referendum;
- Contra o golpe em Honduras;
- Contra a desestabilização dos governos democráticos e populares da América Latina;
- Pelo fim das patentes de remédios
- Contra a intolerância religiosa, em defesa do Estado laico.
MAIS DIREITOS AO POVO
- Educação pública, gratuita e de qualidade para todos e todas, com a universalização do acesso, promoção da qualidade e incentivo à permanência, seja na educação infantil, no ensino fundamental, médio e superior. Por uma campanha efetiva de erradicação do analfabetismo. Adoção de medidas que democratizem o acesso ao ensino superior público;
- Defesa da saúde pública garantindo acesso da população a atendimento de qualidade. Tratamento preventivo às doenças, atendimento digno às pessoas nas instituições públicas;
- Pela garantia e ampliação dos direitos sexuais reprodutivos;
- Contra a exploração sexual das mulheres;
- Pelo fim do fator previdenciário e por reajuste digno para os aposentados.
SOLIDARIEDADE
- Solidariedade ao povo haitiano diante do recente desastre ocorrido em virtude de uma seqüência de terremotos.
- Solidariedade ao povo cubano – pela liberdade dos 5 prisioneiros políticos do Império.
- Solidariedade aos povos oprimidos do mundo.
- Solidariedade aos presos políticos do MST
CALENDÁRIO
08-18 Março – Jornada de comemoração dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher
Março – Jornada de lutas em defesa da educação - UNE e UBES
Abril– Jornada de mobilizações em defesa da Reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais
01 de Maio – Dia do Trabalhador
31 de Maio – Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais
1 de junho – Conferência Nacional da Classe Trabalhadora
Setembro – Plebiscito pelo limite máximo da propriedade

ASSEMBLEIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
Porto Alegre, 29 de janeiro de 2010.
10 ANOS DO FSM - OUTRO MUNDO ACONTECE!
O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico ao Capitalismo financeiro.
Nesses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela, Índia, Quênia levando a esperança de um mundo novo. Foi dessa maneira que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a idéia de que é sim possível construir outro mundo com justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para construir uma nova conjuntura que valorize o multilateralismo e a solidariedade entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro de 2011.
Com o declínio do neoliberalismo e a crise do capitalismo entraram em choque também os valores capitalistas. Assim, o capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos de todo o mundo e suas soberanias, explora o trabalhador e desestrutura o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura, passa a ser questionado. Portanto, as crises atuais nada mais são do que crises do modelo de desenvolvimento adotado, que é o das grandes corporações capitalistas. De tal maneira, essa crise do Capitalismo coloca os movimentos sociais em situação mais favorável para travar a luta.
O mundo mudou. E a crise do sistema financeiro mundial é uma derrota do Imperialismo. Assim caminha-se para a busca de soluções multilaterais reforçando órgãos como o G-20. Ao mesmo tempo emergem novas potencias como o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que representa o fortalecimento das nações emergentes. Isso sem falar na América Latina que atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora e mudancista. Escorre pelo ralo o velho ideário neoliberal do Estado mínimo e o Estado volta a ser o grande instrumento de fomentação do desenvolvimento.
Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do Imperialismo de mão beijada. Não é à toa a promoção do golpe em Honduras em 2009 e contra Chávez em
Sua principal arma hoje é a grande mídia e os grandes veículos de comunicação. São esses organismos que funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Nesse sentido ganham força os movimentos de cultura livre que conseguem driblar o monopólio midiático e influenciar a opinião de milhares de pessoas e a necessidade do fortalecimento das rádios comunitárias.
O Imperialismo mostra a cada dia a sua face. Elegeu Obama em um grande movimento de massas carregando consigo as esperanças do povo estadunidense em superar a era Bush. Entretanto o Imperialismo continua sendo Imperialismo. Dessa forma cresce seu o olho diante das grandes riquezas descobertas como o Pré-sal. Os EUA reativaram a quarta frota marítima e instalaram mais bases militares na Colômbia de seu amigo Uribe, além de insistir no retrógrado bloqueio a Cuba.
Os movimentos sociais reunidos no Fórum Social Mundial,
SOBERANIA NACIONAL
-Defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro;
-Pela retirada das bases estrangeiras da América Latina e Caribe;
-Defesa da autodeterminação dos povos;
-Pela retirada imediata das tropas dos EUA do Afeganistão e do Iraque;
-Pela criação do Estado Palestino;
-Contra os Golpes de Estado a exemplo de Honduras;
-Contra a presença da 4ª Frota na América Latina;
-Pela integração solidária da América Latina;
-Contra a volta do neoliberalismo;
-Pelo fortalecimento do MERCOSUL, UNASUL e da ALBA;
-Pela democratização e o fortalecimento das forças armadas;
-Pela defesa da Amazônia como patrimônio nacional.
DESENVOLVIMENTO
-Por uma política nacional de desenvolvimento ambientalmente sustentável, que preserve o meio ambiente e a biodiversidade, e que resguarde a soberania sobre a Amazônia brasileira.
-Por um Projeto Nacional de Desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho;
-Pelo fortalecimento da indústria nacional;
-Contra o latifúndio;
-Em defesa da Reforma Agrária;
-Redução da jornada de trabalho sem redução de salários;
-Por políticas Públicas para a Juventude;
-Defesa de formas de organização econômica baseadas na cooperação, autogestão e culturas locais;
-Pela alteração da Lei Geral do Cooperativismo e da conquista de um Sistema de Finanças Solidárias e Programa de Desenvolvimento da Economia Solidária (PRONADES), do Direito ao Trabalho Associado e Autogestionário, e de um Sistema de Comércio Justo e Solidário;
-Por um desenvolvimento local sustentável;
-Por Políticas Públicas de Igualdade Racial;
DEMOCRACIA
-Contra os monopólios midiáticos;
-Contra a criminalização dos movimentos sociais;
-Em defesa da Cultura livre: É necessário que todo o processo de criação e difusão seja livre, garantindo aos sujeitos sociais condições suficientes para criarem e acessarem todos os bens culturais;
-Pela ampliação da participação do povo nas decisões;
-Contra o golpe em Honduras;
-Contra a desestabilização dos governos democráticos e populares da América Latina;
-Democratizar os meios de comunicação, visando a pluralidade de opiniões e o respeito e difusão das opiniões das minorias. Pela criação imediata de um canal aberto de televisão pública. Pela integração da TV pública brasileira ao projeto da Telesul. Fortalecimento das rádios e TVs públicas e comunitárias. Concessão de linhas de financiamento a projetos de criação de novas TV’s, Rádios, Jornais e Revistas de grande circulação por parte dos movimentos sociais populares quando da mudança do modelo analógico para o modelo digital brasileiro;
-Pelo fim das patentes de remédios;
-Contra o caráter restritivo a distribuição de conhecimento e propriedade intelectual; Pela revisão da lei de direito autoral brasileira, enfocando nos novos formatos de distribuição de conteúdo em mídias digitais;
-Contra a intolerância religiosa, em defesa do Estado laico.
MAIS DIREITOS AO POVO
-Educação pública, gratuita e de qualidade para todos e todas, com a universalização do acesso, promoção da qualidade e incentivo à permanência, seja na educação infantil, no ensino fundamental, médio e superior. Por uma campanha efetiva de erradicação do analfabetismo. Adoção de medidas que democratizem o acesso ao ensino superior público;
-Defesa da saúde pública garantindo acesso da população a atendimento de qualidade. Tratamento preventivo às doenças, atendimento digno às pessoas nas instituições públicas;
-Pela garantia e ampliação dos direitos sexuais reprodutivos;
-Contra a exploração sexual das mulheres;
-Pelo fim do fator previdenciário e por reajuste digno para os aposentados.
SOLIDARIEDADE
-Solidariedade ao povo haitiano diante do recente desastre ocorrido em virtude de uma sequência de terremotos;
-Solidariedade ao povo cubano – pela liberdade dos 5 prisioneiros políticos do Império.
-Solidariedade aos povos oprimidos do mundo.
CALENDÁRIO
08 MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER;
MARÇO – JORNADA DE LUTAS DA UNE E UBES
1º MAIO– DIA DO TRABALHADOR
31 MAIO – ASSEMBLÉIA NACIONAL DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
A entidade se instalou no Acre no primeiro semestre de 2009 e desde então tem afiliado cada vez mais empreendimentos. "Já contamos com quase 50 empreendimentos filiados à Unisol", contabiliza Carlos Omar de Assis, Assessor Técnico da Unisol no Acre.
A aprovação da lei estadual que cria o Programa Estadual da Economia Solidária, em abril do ano passado, fortaleceu os empreendimentos da região, buscando subsídios com outros programas e políticas de inclusão social e geração de trabalho e renda.
Outra expectativa para este ano é a criação do Conselho Estadual de Economia Solidária, um espaço que deve cuidar de assuntos como políticas públicas e o acesso ao microcrédito, entre outros temas. De acordo com o Assessor Técnico, Rio Branco, capital do Estado, já possui um Conselho Municipal para o segmento, já que a cidade aprovou há cerca de dois anos, a lei municipal de economia solidária.
Na programação dos eventos, Omar adianta que na segunda quinzena de maio será realizada a segunda edição da Feira Internacional Pan-Amazônia. Na primeira edição, realizada no ano passado, cerca de 330 empreendimentos, de oito países, entre eles, Peru, Chile, Bolívia e Colômbia, participaram.
"As matérias de Economia Solidária são produzidas com o apoio do Banco do Nordeste (BNB)".
Uma nova forma de estimular a cultura no país foi debatida no Fórum Social Mundial 10 Anos. A idéia é unir a música, com as novas tecnologias e com a liberdade política para todo cidadão. É a chamada Cultura Livre.
Conheça um pouco mais no nosso Outro Olhar de hoje. A produção é do Movimento MPB: Música para Baixar.
Produção: Movimento Música para Baixar
Colaboração: Everton Rodrigues, Fernando Anitelli, GOG, Gilherme
Comentário: Assistimos na economia mundial um aprofundamento nas relações Sul-Sul visando ampliar a integração regional e fortalecer as economias em desenvolvimento. Mudando de forma gradual os fluxos econômicos mundiais.
Infelizmente, no Comércio Justo as opções preferenciais ainda são as relações Norte-Sul e o aprofundamento das relações com as grandes superfícies (em sua maioria tendo como principais acionistas grupos transnacionais com sede nos países imperialistas). Nesse sentido, os debates ocorridos durante o I Fórum Social de ECOSOL mostraram a necessidade de aprofundar as relações comerciais Sul - Sul. Buscando desenvolver logísticas solidárias e uma integração maior entre os empreendimentos latinoamericanos.
Jorge Bernstein lembra que acordos de integração regional entre países periféricos envolve 4 bilhões de pessoas no mundo
Direto de Salvador - Acordos Sul-Sul, formados entre países em desenvolvimento não podem ser pensadas como alternativas à superação da crise, porque já são uma realidade no mundo, segundo o economista Jorge Bernstein. O professor da Universidade de Buenos Aires acredita que é necessário repensar acordos de integração regional para que não repitam estruturas que levam o mundo a crises constantes.
Ele acredita que o mundo vive uma convergência de crises, incluindo problemas econômicas, sociais, ambientais etc., que está mais perto do início do que do fim. "Mesmo o diretor do FMI diz que a aparente saída da crise é fruto da intervenção dos Estados, mas não há projeção de crescimento", sustenta.
Nesse sentido, Bernstein criticou uma frase disposta em um cartaz ao fundo da mesa do seminário Crises e Oportunidades, no Fórum Social Mundial Temático Bahia. A frase "Sociedade e governos debatem o mundo pós-crise" sugeriria, para o economista, que "estamos em 2040", porque novos choques sobre o sistema financeiro são previstos por analistas.
Bernstein lembra que os acordos regionais na África, América do Sul e, especialmente, a Ásia envolvem, somados, cerca de 4 bilhões de pessoas. Seja com finalidades energéticas, comerciais ou militares, esses acordos podem representar avanços, mas também retrocessos econômicos e sociais, se reproduzirem modelos convencionais.
O exemplo citado pelo economista envolve acordo entre os governos chinês e indonésio de comércio de petróleo. "Há segurança energética de um lado e lucros do petróleo de outro, mas os produtos industriais chineses vão invadir a Indonésia, causando possivelmente pobreza e miséria", prevê.
O economista acredita que as relações Sul-Sul são uma forma de desconexão e religação de países que precisa ser pensada em um contexto do que ele considera ser a "decadência do centro do mundo". "Não há a substituição de uma potência por um mundo multipolar, mas uma despolarização em que aparecem espaços de desenvolvimento não controlados pelas grandes potências", avalia. Nesses espaços é que poderiam ser fortalecidas relações entre países em desenvolvimento.
O economista Paul Singer participa do seminário A Conjuntura Economica Hoje, no segundo dia do Fórum Social Mundial (Foto: Renato Araújo/ABr)
Direto de Salvador - O economista e secretário nacional de Economia Solidária Paul Singer defendeu, na manhã desta sexta-feira (29), a nacionalização dos bancos como forma de evitar novas crises financeiras. Para ele, está é uma das oportunidades abertas pela instabilidade econômica estabelecida internacionalmente desde setembro de 2008.
"(Barack) Obama, que é muito controverso, está uma ofensiva contra os bancos. Antes dele, (Nicolas) Sarkozy, na França, e Gordon Brown, na Inglaterra, já abriram bateria contra bancos, mas sem proposta concreta", analisa. "Minha proposta é nacionalizar os bancos", opina.
O fato de instituições financeiras terem sido salvas de falência por recursos públicos e de algumas chegarem a ter seu controle transferido ao Estado – como o Bank of America – permitem pensar a respeito da hipótese.
A argumentação passa pelo caso brasileiro, em que o Estado controla metade do sistema financeiro e usou três bancos, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, para minar os efeitos da retração. O resultado foi um ano de 2009 com crescimento zero – "o que não é crise, mas também não é bom" – e reaquecimento a partir do segundo trimestre.
Singer reconhece, porém, entraves. "Não há opinião pública suficientemente formada para isso", admite. "No hemisfério Norte, o neoliberalismo é sufocante e governos são chantageados a parar medidas anticrise de caráter keynesianos (invervenção do Estado na economia) que também adotaram", acusa.
Apesar das dificuldades, ele acredita que países desenvolvidos como o Japão e Estados Unidos vivem transformações políticas importantes.
A primeira mesa do seminário Crises e Oportunidades, no Fórum Social Mundial Temático Bahia, discutiu como estratégias e alianças de países do Sul, periféricos, poderiam representar alternativas. As discussões prosseguem até este domingo (31), no FSMT-BA.
Singer apontou a existência de um Mercado Comum do Cone Sul da Economia Solidária (Mercosul Solidário), criado em 2006 como forma de se construir alternativas sem passar pelos países mais ricos do planeta. A integração de empreendimentos autogestionários seria, para ele, uma forma de construir alternativas efetivas à crise. Ele qualifica esse tipo de iniciativa de "novo socialismo" sem tomar poder direto e que aproveita a crise, o desemprego e a exclusão social.
