sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Comércio Justo e Solidário se fortalece no Brasil. Só falta o governo aprovar o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário

Comentário: Durante o I Fórum Social de Economia Solidária (FSES), FSM 10 Anos, a principal temática no eixo Produção, Comercialização e Consumo foi a criação do Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário.A importância desse tema - a comercialização e seu processo de reconhecimento - aponta para a maturidade que o movimento de economia solidária acumulou durante toda essas duas décadas de fortalecimento no país.

Durante a mesa sobre o Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário e a construção do Selo Nacional de ECOSOL a principal conclusão foi:

a) O movimento de Economia Solidária se afirmou social e politicamente, obvimente ainda tem muito o que se fortalecer.
Hoje, a ECOSOL esta presente e organizado em Fóruns, entidades e Centrais de Representação de EES em todos os Estados brasileiros, acumula políticas públicas na três esferas do executivo - municipal, estadual e federal e no ano de reflexão do Fórum Social Mundial organizou o I FSES com a presença reconhecida pela Brigada Militar de 120 mil pessoas e com delegações de 28 países.

b) No entanto, precisa fazer que essa identidade social e politíca, acumulada em todos esses anos, seja transformada em força econômica. Transformar nosso Capital político, produtivo e simbólico em um Capital econômico chegando aos milhares de consumidores brasileiros e na América Latina, essencialmente.

Abaixo uma matéria publicada no Jornal Estado de São Paulo (que não prima por matérias voltados as organizações e movimentos sociais), acerca do Comércio Justo e Solidário e seus desafios. Numa entrevista com Ana Asti (representante da Organização Mundial do Comércio Justo - WFTO e da Ong Onda Solidária), mostra as possibilidades abertas para firmar a presença econômica da Economia Solidária.

A bola para a criação do Sistema Nacional de Comércio Justo e Solidário esta com o governo. Se aprovada será o primeiro grande passo para firmar os atores produtivos da ECOSOL na disputa real do mercado brasileiro, um mercado de milhares de consumidores.



Bom, bonito e do bem

Ativista carioca defende comércio justo sem assistencialismo e com produtos que tenham apelo e qualidade

Alice Lobo - especial para O Estado

Wilton Junior/AE

RIO DE JANEIRO - Quem olha o item “experiência profissional” no currículo de Ana Asti imagina alguém muito mais velha do que a jovem carioca de 31 anos. Sua lista de projetos realmente engana.

Formada em Administração e com mestrado em Ciências Sociais, ela representa a América Latina na Organização Mundial do Comércio Justo (WTFO, na sigla em inglês), coordena uma ONG que defende esse tipo de negócio, ajuda a criar leis sobre o tema e também participa de feiras aqui e no exterior.

Durante a Rio à Porter – a área de business do Fashion Rio –, ela apresentou os produtos da “primeira distribuidora de moda brasileira de fair trade” e falou ao Estado sobre o comércio justo, “um mercado que infelizmente ainda não pegou no Brasil, mas que cresce uma média de 30% ao ano”.

Muita gente acha que o comércio justo é assistencialismo. Como defini-lo?

É uma forma de comércio baseada em princípios como gerar oportunidade para quem precisa, ter transparência na relação comercial, investir em capacitação, além de respeitar o meio ambiente, a igualdade de gêneros e de condenar o trabalho infantil. Também tem-se como princípio estabelecer relações duradouras entre produtor e comprador – o que prova que este mercado não faz caridade. O produto tem que ser bom e bonito para o consumidor gostar, comprar e voltar a procurar o mesmo fornecedor.

Mas a origem do comércio justo não está relacionada a ajudar a população pobre?

Sim, o conceito surgiu nos anos 60, como um movimento de igrejas e ONGs para diminuir a injustiça no mercado internacional, valorizando o trabalho de pequenos agricultores, costureiras e artesãos. Isso se transformou em um nicho de mercado específico que tem como característica a sustentabilidade.

Como foi esta transformação?

Chegou uma hora em que o produtor sabia que era uma proposta política e social, mas que precisava ter um ganho comercial e, para isso, tinha de vender. O que significa ter qualidade, design e, dependendo do produto, certificação ambiental e orgânica. O produto também tem que trazer um benefício para quem compra. Não existe mais a prática de comprar para ajudar os produtores do hemisfério Sul, como antigamente. Mas esse mercado gera oportunidade para quem precisa e é claro que quanto maior o volume de produção do mercado justo, mais produtores são ajudados.

Quantas pessoas são beneficiadas com esse mercado?

Um milhão de famílias de agricultores e artesãos no mundo participa desse movimento.

Qual a diferença entre economia solidária e comércio justo?

No Brasil são conceitos que caminham juntos. Mas no comércio justo existe uma exigência muito grande com o design e a qualidade do produto. É um mercado internacional e tem um volume de produção muito maior, para vender para uma grande rede, por exemplo. Já a economia solidária tem um trabalho forte de capacitação de mão de obra e desenvolvimento da economia local. São produtos artesanais que podem ser encontrados muitas vezes em feiras de rua.

E o que é a Brasil Social Chic?

É a primeira distribuidora de moda sustentável do País. Com o apoio da Onda Solidária (ONG da qual é vice-presidente), quatro grupos de artesãos e costureiras desenvolveram produtos, como bolsas, roupas e artigos de decoração, que miram o comércio exterior. Agora que conseguimos o financiamento do Sebrae, o objetivo é que eles consigam andar sozinhos.

Quais suas atribuições como representante da Organização Mundial do Comércio Justo?

Represento 70 grupos de comércio justo na América Latina. Fazemos parte de uma rede de produtores, compradores e exportadores. Além de acompanhar os integrantes e certificar seus produtos, cuidamos do desenvolvimento comercial e da promoção do comércio justo local e global.

E quem é o consumidor desse comércio justo?

É o mesmo que consome produtos orgânicos, pois a base nos dois casos é a consciência na hora da compra. São pessoas que se preocupam com a natureza e com o homem e sabem que eles vivem juntos.

Como saber se um produtos que compramos vêm de mão de obra explorada?

Bom senso. Se você vê uma bolsa toda trabalhada que é muito barata, vale a pena parar e pensar se o preço dela paga o custo. Tem produtos que vêm da China cujo preço não cobre nem o transporte da mercadoria. E quem banca este preço é a mão de obra que foi explorada. Este questionamento é o consumo consciente, que infelizmente ainda não pegou aqui. Os brasileiros gostam de comprar barato, mas não pensam que isto implica exploração de pessoas.

Existe selo de certificação de comércio justo?

Hoje a WFTO certifica o produtor e vamos lançar um selo para o produto também. Daqui a três anos, a organização decidirá se o selo será usado somente por seus membros ou se vai virar um selo internacional de certificação de comércio justo independente.

Como será o futuro nessa área?

Eu defendo que o comércio justo cresça além da fronteira das ONGs. Sou a favor da entrada de multinacionais nesse tipo de negócio, desde que, claro, seja para a evolução positiva do setor.

Você está participando da criação da Carta de Princípios de Comércio Justo. De que se trata?

É um projeto de lei que regulamenta o comércio justo no Brasil, com os princípios e critérios que definem a certificação que será usada no País. Apresentamos esse projeto após passar cinco anos consultando grupos produtivos de todo o território nacional para entender o que significa o comércio justo na visão dos brasileiros. Porque não se pode simplesmente importar todo o conceito lá de fora. Temos uma realidade e uma cultura de produção própria.

E qual a importância desta lei em âmbito internacional?

O Brasil pode se tornar o primeiro país a ter uma legislação sobre o comércio justo em todo o mundo e se tornará uma referência no assunto.

Em que pé que está o projeto?

A Carta foi assinada pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e está na Casa Civil para avaliação técnica. Depois disso, se der tudo certo, ela vai para o presidente Lula assinar e transformá-la em lei por decreto. Assim como há a lei dos produtos orgânicos, teremos a do comércio justo.

Celina Whitaker: Reflexão sobre Moeda Social

Durante os três dias de debates, reflexões, seminários e Plenárias que ocorreram no I Fórum Social e I Feira Mundial ECOSOL, em Santa Maria diversos temas foram tratados. Entre eles, o uso de Moedas Sociais.

Celina Whitaker faz uma reflexão sobre Moedas Sociais, a partir da Moeda SOL na França.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vídeo da Marcha de Abertura do FSM 10 Anos

Vídeo da Marcha de Abertura do FSM 10 Anos, onde a bandeira da ECOSOL tremula trazendo a autogestão dos trabalhadores e trabalhadoras em bloco afirmando: Um outro modelo de desenvolvimento sustentável e solidário.

Carola Reintjes (WFTO) fala sobre os desafios do Comércio Justo - I Fórum Social ECOSOL/ FSM 10 Anos

Carola Reintjes durante o I Fórum Social Economia Solidária, em Santa Maria, afirmou: "O Comércio Justo integra os valores da Economia Solidária".

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Gilberto, do FPES participa dos debates sobre os Grupos Indígenas no FSM 10 Anos

Foto Dolcimar Luis da Silva

Gilberto, membro da Associação Arte Nativa Indígena - Guarulhos/SP e do Fórum Paulista de Economia Solidária participa ativamente dos debates sobre a necessidade de ampliar as políticas públicas em favor do povo indígena. A matéria abaixo foi publicada na página do FSM 10 Anos.

Grupos Indígenas discutem distribuição de terra e direito a saúde


Cacique Valdomiro da comunidade do Morro do Osso de Porto Alegre exclama ”Sofremos as consequancias da falata de reconhecimento do povo indígena no Brasil”

Durante essa tarde, quarta-feira 27, um grupo de diversas comunidades indígenas brasileiras se reuniram no Forum Social Mundial no Parque Eduardo Gomes em Canoas para unir forças em busca da sonhada demarcação de terras através de um apoio a FUNAI e acesso a saúde de qualidade através da FUNASA.

Hoje o Brasil tem apenas cerca de 220 Índios. “somos uma comunidade pequena, temos dificuldade em sermos ouvidos pelos meios de comunicação e dar voz a permanência de nossa cultura” diz Awá Kuaray, Tupiguarani do estado de São Paulo atribuindo ao Forum mais uma força para suas reinvidicações.

Entre os pontos discutidos e questionados pelo Indios, o repasse de verbas para as tribos brasileiras. Dinheiro que segundo eles não chega ao destino, que seria desviado.

A caigangue de Viamão (RS) Juracema Nascimento observa que no estatuo do Povo Indigema é atribuído muitos direitos aos Indios, mas que segundo ela ficaram, só no papel.

“Também pedimos aqui educação. as professoras possam chegar nas nossas tribos ensinar nosso povo. Só quero um pedacinho de terra para cuidar da inha família e da natureza” diz.

Por Taís Dal Ri

Saudações e Programação dos Debates FSM 10 Anos no México

Cartaz dos debates do FSM 10 Anos no México


MENSAGEM

Aos nossos companheiros e amigos do FSM no Brasil e no mundo

Janeiro de 2010

Pela razão dos 10 anos de existência do FSM queremos saudar desde o México todos e todas os que convencidos de que “Outro Mundo é Possível”, tem conseguido desde o nosso ponto de vista constituír um avanço político: criar e fortalecer espaços de encontro, debate e proposta plural para que os povos do mundo, através de suas organizações e movimentos sociais, expressem suas convergêcias e suas diferenças e promovam processos de “Ação local para a transformação Global”.

Quando apareceu faz 10 anos em Porto Alegre como uma alternativa social a Davos dos capitalistas, era difícil antecipar se o FSM materia vigência durante ao menos uma década. Agora, sabemos que não só foi possível, mas que conseguimos mais: que a rede de redes tem se convertido em um movimiento de movimentos que reúne e da presença geopolítica inegável e crescente a muitos dos mais significativos e progresistas coletivos do mundo.

Enviamos uma saudação amistosa e solidária a todas e todos que celebram o 10. Aniversario do FSM em qualquer lugar do globo, e particularmente aos membros do Conselho Internacional e aos esforçados integrantes do Secretariado Executivo que trabalham e celebram esta data histórica em Porto Alegre, Brasil!

Coordenação Nacional do FSM México

Economia Solidária na caminhada de abertura do FSM 10 Anos



A Economia Solidária deu um passo importante com a organização do I Fórum Social ECOSOL - FSM 10 Anos que é se preparar e criar uma identidade comum de intervenção política e social no FSM. Passo esse que se manifestou na importante coluna dos militantes da ECOSOL na marcha de abertura do FSM nas ruas de Porto Alegre.

Nas fotos vejam em destaque a participação do Fórum Brasileiro de ECOSOL e do Fórum Paulista de ECOSOL, que apesar de todas as dificuldades teve uma importante atuação durante o I Fórum Social de ECOSOL. Com as apresentações culturais de Hortolândia, com a capa do Correio do Povo, com Gilberto e com a participação de Leonardo na mesa da Assembléia Final do I Fórum Social ECOSOL.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Economia Solidária se destaca na caminhada de abertura do FSM 10 Anos


A Economia Solidária se destacou na caminhada de abertura do FSM 10 Anos. Os militantes da ECOSOL organizados em torno da bandeira de 40 metros mostraram a força e a vitalidade criativa desse novo movimento social.

Na foto que estampou a capa do Correio do Povo, o militante do Fórum Paulista de ECOSOL, Gilberto, da Associação Arte Nativa Indígena - Guarulhos/SP, aparece ao lado da bandeira da ECOSOL.

Veja a Capa do Correio do Povo, 26 de janeiro de 2010.

Economia Solidária reuniu 28 países

A matéria abaixo saiu no jornal O Correio do Povo

Economia solidária reúne 28 países

 Marcha Mundial pela Paz e pela Justiça Social abriu eventos em Santa Maria- Crédito:  daiane ferrari / especial / cp
Marcha Mundial pela Paz e pela Justiça Social abriu eventos em Santa Maria
Crédito: daiane ferrari / especial / cp
RENATO OLIVEIRA | roliveira@correiodopovo.com.br

Um espaço de reafirmação. O 1 Fórum Social e a 1 Feira Mundial de Economia Solidária começaram ontem, em Santa Maria, depois da realização da Marcha Mundial pela Paz e Justiça Social. Estimativas parciais apontam que, até domingo, 28 países e mais de 600 empreendimentos exporão e comercializarão os seus produtos.

Segundo o diretor de Fomento da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, Dione Manetti, a economia solidária é um processo de muito tempo no país, mas necessita do comprometimento do poder público para avançar. "A falta de respaldo legal muitas vezes limita o desenvolvimento", salientou. Manetti exaltou a importância da Senaes. "Temos a possibilidade de fortalecer as políticas públicas, gerando renda, com fomento ao trabalho. Ela traz para o Estado brasileiro o que já era realidade no âmbito das cidades", disse, acrescentando que o fórum é um dos eventos mais importantes do mundo sobre o tema.

A Feira de Economia Solidária ocorreria em julho de 2009, mas foi adiada devido à epidemia de gripe A, visto que muitos visitantes do Brasil e de países da América Latina iriam para Santa Maria. "Nossa resposta é a organização desse evento, mostrando que a economia solidária não está somente no papel. Só queremos a lei para reconhecimento coletivo de um trabalho digno e solidário", disse Rosana Pontes, do Fórum Brasileiro de Economia Solidária.

O prefeito Cézar Schirmer reconheceu a grandiosidade dos eventos, dizendo que abriram as portas e as janelas do mundo para a cidade, mostrando a "verdadeira economia do século". "Esse é nosso compromisso com a ideia que hoje é uma realidade", definiu o prefeito.

Durante a marcha, coordenada pelo Levante da Juventude, os participantes exaltaram o cuidado com o meio ambiente e lembraram o histórico do Fórum Social Mundial, com a evolução da economia solidária dentro desse processo. Em um momento de silêncio, os participantes homenagearam as vítimas do Haiti, país que ainda sofre com as consequências de um terremoto. Uma caixa passará por todas as atividades do fórum e da feira para arrecadar doações ao povo haitiano.

Alegria contagia o encerramento da etapa de Santa Maria do I Fórum Social de ECOSOL

A alegria dos empreendimentos e de todos os militantes da ECOSOL tomaram conta no ato de encerramento do I Fórum Social de ECOSOL.

Embaixo da bandeira de 40 metros da Economia Solidária todos e todas celebravam o amor, a paz e uma economia contsruída e gerida pelos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo.

Polícia de Serra aterroriza sem terra em Iaras - SP

O MST de SP em nota divulga a situação de criminalização que esta vivendo em Iaras - SP pela PM de Serra.

A atual escalada de violência na região ocorre num momento onde o MST reivindica as terras griladas pela CUTRALE e o debate sobre Programa Nacional de Direitos Humanos, e a necessidade de mediação nos conflitos agrários, ganha o país. Mais uma vez Serra mostra de que lado está, junto as grandes empresas que crescem através da exploração do trabalho e da grilagem de terra. Enquanto se cala publicamente sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos na realidade mostra o que realmente pensa: criminalização dos movimentos sociais.

NOTA DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA DE SÃO PAULO (MST-SP)

Na manhã desta terça-feira (26/1) recebemos, com extrema preocupação, a informação de que desde o final da tarde de ontem a polícia está fazendo cercos aos assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária na região de Iaras-SP, portando mandados de “busca, apreensão e prisão”, com o intuito de intimidar, reprimir e prender militantes do MST. Neste momento já estão confirmadas as detenções de nove militantes assentados e acampados do MST, que estão na Delegacia de Bauru-SP. No entanto, há a possibilidade de mais prisões e outros tipos de repressão.

Os relatos vindos da região, bastante nervosos e apreensivos, apontam que os policiais além de cercarem casas e barracos, prenderem pessoas e promoverem o terror em algumas comunidades, também têm apreendido pertences pessoais de muitos militantes – exigindo notas fiscais e outros documentos para forjar acusações de roubos e crimes afins. A situação é gravíssima, o cerco às casas continua neste momento (já durando quase um dia inteiro), e as informações que nos chegam é que ele se manterá por mais dias.

Nossos advogados estão tentando, com muita dificuldade, acompanhar a situação e obter informações sobre os processos – pois a polícia não tem assegurado plenamente o direito constitucional às partes da informação sobre os autos e, principalmente, sobre as prisões. No entanto, é urgente que outros apoiadores políticos, organizações de direitos humanos e jornalistas comprometidos com a luta pela Reforma Agrária e com a luta do povo brasileiro divulguem amplamente e acompanhem mais de perto toda a urgente situação. A começar pelas pessoas que vivem na região de Iaras, Bauru e Promissão.

Situações como esta apenas reforçam a urgência da criação de novos mecanismos de mediação prévia antes da concessão de liminares de reintegração de posse, e de mandados de prisão no meio rural brasileiro – conforme previsto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3) - com o intuito de diminuir a violência contra trabalhadores rurais.

No caso específico e emergencial de Iaras, tal repressão é o aprofundamento de todo um processo de criminalização e repressão que foi acelerado a partir da repercussão exagerada e dos desdobramentos políticos ocorridos na regional de Iaras (SP) por ocasião da ocupação da Fazenda-Indústria Cutrale, em outubro de 2009. O MST reivindica há anos para a Reforma Agrária aquelas áreas do Complexo Monções, comprovadamente griladas da União por esta poderosa transnacional do agronegócio. Ao invés de se acelerar o processo de Reforma Agrária e a democratização do uso da terra, sabendo-se que naquela região do estado de São Paulo há milhares de famílias de trabalhadores rurais que precisam de um pedaço de chão para sobreviver e produzir alimentos, o que obtemos como “resposta” é ainda mais arbitrariedade, repressão e violência .

O MST -SP reforça o pedido de solidariedade a todos os lutadores e lutadoras do povo brasileiro comprometidos com a transformação do país numa sociedade mais justa e democrática, e de todos os cidadãos e cidadãs indignadas com a crescente criminalização da população pobre e de nossos movimentos sociais pelo país. Não podemos nos intimidar nem nos calar diante de tamanho absurdo!

MST-SP