Outra Economia Acontece

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sábado, 31 de janeiro de 2009

Ilhas e Pontes, diversidade e semântica

por: Guilherme Marin e Paulo Edison de Oliveira (Índio)

Em tempos de organização social em rede através do constante aprimoramento tecnológico da internet, muitos conflitos de interesse se acumulam em torno do compartilhamento e da produção de conteúdos audiovisuais. Para a discussão de temas para os quais ainda não temos solução foi criado o Fórum Internacional de Governança na Internet - IGF, que, em sua terceira edição no ano de 2008, foi realizado na cidade de Hyderabad, Índia.O imaginário coletivo associa, muitas vezes, a internet a um modelo anárquico de livre expressão de idéias e intercâmbio de conteúdos, portanto, ao reunirmos certo grupo de pessoas que debatem acerca de bases para a constituição de regras logo vem à mente o modelo ocidental positivo de contrato social.
Generosa foi a curadoria das mesas de debate que buscou aprofundar três eixos temáticos embasados no desafio da inclusão do próximo bilhão de usuários globais na internet, nas dificuldades de infra-estrutura de acesso que essa inclusão implicará e, ainda, como se dará este processo no trato de tamanha diversidade humana em que um universo lingüístico não encontra representatividade de conteúdos frente a um número restrito de idiomas que prevalecem na web.Entre as questões fundamentais estão algumas perguntas como, por exemplo: Incluir para quê? Inclusão a serviço de quem? A criação de infra-estrutura atende a demanda de que mercado? A padronização de um idioma serve aos interesses de quais áreas do conhecimento e países?A humanidade imersa em crise econômica, histórica e social, vive um período em que o modelo de sociedade de consumo e o ideal de organização social se encontram desacreditados, enquanto se assiste confortavelmente a banalização da vida e a desumanidade nas relações de mercado. As relações em rede, tanto econômica como social, fazem parte da sociedade moderna, não obstante podemos dizer que a web está consolidada como uma ferramenta essencial para a troca de conhecimento entre a diversidade de povos que constituem a humanidade.Segundo previsões deveremos atingir a expressiva marca de um bilhão de usuários de internet em 2009, portanto, é o momento apropriado para refletir uma ética global a partir do que já observamos nestes primeiros passos de consolidação de redes sociais transnacionais e devemos nos perguntar sobre os desafios que deveremos enfrentar no processo de inclusão do próximo bilhão de usuários. É importante discutirmos como podemos partilhar este espaço com os próximos que se juntarão a redes, produzirão textos, podcasts e vídeos distribuídos em canais globalmente conectados como o celular, a internet e a TV digital.
O encontro de culturas tão diversas produz choques, inevitavelmente, ao passo que perdemos a referência espacial entre ocidente e oriente, periferia ou centro, e passamos a nos identificar conceitualmente enquanto redes. A economia contemporânea, segundo o geógrafo Milton Santos, se organiza em rede, todavia, a demanda é definida do externo para o interno, ou seja, o mercado por meio da intensa propaganda massifica o ideal de sociedade construindo quase que hegemonicamente um modelo social padrão. É a supressão da cultura, do conhecimento local e a dependência externa que gera concentração de renda, apropriação de conhecimento, exploração e miséria.O futuro nos obriga a buscar soluções que atuem em mediação com fins de equilibrar, em oposição ao modelo da negociação predominantemente utilizado na cultura ocidental, que favorece o aparecimento de assimetrias e pode facilmente ser observado pela análise da infra-estrutura de conexão das regiões mais carentes do planeta, cujas precariedades aumentam o custo por tecnologias alternativas mais sofisticadas. Injustamente vivemos um modelo em que o custo de produtos e serviços é extremamente maior para os que menos podem pagar, o caso da maior parcela da população mundial. Devemos lembrar que exemplos não faltam de investimentos externos que geraram desenvolvimento e ao mesmo tempo dependência, padronizações de consumo e relacionamentos. Na America Latina, por exemplo, viveu-se um processo histórico de importação de tecnologia em invés de investimentos na produção tecnológica, tornando-a dependente dos acordos e regras da política econômica internacional que gera miséria e concentração de riquezas. Não defendemos o isolamento econômico, investimentos internos devem ser mediados, existe a necessidade de pensar o que, como, quais as principais conseqüências sócio-ambiental e quem se beneficiará no longo prazo por esse investimento.Afora lançarmos a atenção a aspectos técnico-físicos relativos a acessibilidade, nos obrigamos a enfrentar o desafio de produção de conteúdo que identifique realmente esta diversidade. Neste aspecto a escolha da Índia como anfitriã do IGF também foi muito apropriada devido a grandeza populacional e da miscelânea cultural de seu bilhão de falantes distribuídos em diversas línguas particulares de cada região do país.O rompimento do padrão espacial estabelecido aproxima o rural e o urbano, o materialismo e o espiritualismo, e nunca a noção de valor foi tão distanciada do ícone do dinheiro como no momento histórico em que vivemos. Devemos avaliar a importância dos preciosos conhecimentos tradicionais de culturas longevas, sua oralidade, sua mitologia, línguas e artes, são de valor inestimável desenvolvido historicamente pela ancestralidade humana. Neste novo contexto de rede global, o conceito de Humanidade ganha em significado. Afinal, todos os homens e mulheres do planeta são partícipes desta comunidade chamada Humanidade?O que atrai na internet é a possibilidade de acesso a conhecimentos construídos em um sem número de países. A abrangência do banco de dados e de aplicativos disponibilizado terá relação direta com a capacidade de cada indivíduo de transitar em diversas línguas, hoje com preponderância para o inglês.Países, como Burkina Faso, que adotaram como língua oficial um idioma diferente daquele que guarda o conhecimento tradicional de sua população, apresentam casos bastante sensíveis, visto que a maior parte da comunicação entre os cidadãos se dá pela tradição que detém o conhecimento oral de sua cultura. Poucas são as línguas tradicionais que foram transcritas em caracteres compatíveis com as interfaces existentes. Trata-se de disponibilizar conhecimento e esta é a base funcional da própria internet.É necessário criar ciberespaços em que os usuários se identifiquem e se reconheçam. Só assim é possível gerar interesse e proliferar a produção de conteúdo, localmente. O recurso audiovisual assume fundamental importância enquanto instrumento de registro da oralidade e da linguagem corporal e é capaz de agregar comunidades, além de possibilitar a comunicação direta entre pontos isolados geograficamente, mas que partilhem identidades culturais. A internet é baseada não só na produção de conhecimento, mas na interatividade que constrói críticas e comunidades a partir dos conteúdos postados.O receio reside no fato de sabermos se haverá catalização de esforços nesta direção ou se manteremos a lógica ocidental iluminista que busca estabelecer formas a priori que abranjam a totalidade das experiências. Ora, num mundo em que a diversidade cultural está cada vez mais surpreendente, não é possível pensarmos em modelo totalizante porque assim caminhamos rumo à injustiça.Nosso momento histórico exige respeito, solidariedade e ética. Não banalizemos estas palavras, pois vivemos emergências ambientais, sociais e econômicas, em que o modo de vida global passa a fazer parte da cinética cotidiana individual de cada pessoa do planeta. As relações pessoais em ambiente virtual devem buscar romper este padrão de massificação cultural que vivemos muitas vezes estimuladas por governos e empresas que têm dentro de si, na burocracia e no projeto industrial, a padronização de inúmeras repetições umas idênticas às outras a fim de ganhar eficiência, reduzir tempo e custos.Pessoas não podem se resumir a fichas e processos. O caminho para a preservação e difusão cultural deve respeitar um equilíbrio e propiciar a livre escolha do usuário da internet. A falta de conteúdo em línguas tradicionais em Burkina Faso mantém as pessoas fora da internet. O ensino de francês aos falantes de Mòore ou Dyula não resultará em um efeito inclusivo, mas na exclusão da identidade cultural burkinense da web e desta forma impossibilitará a apropriação do ciberespaço por sua população.É necessário esforço governamental, de empresas e da sociedade civil organizada nesta trajetória de construção e colaboração para que conteúdos e aplicativos sejam disponibilizado de modo igualitário.A sociedade local tem que participar e conseqüentemente se mobilizar para atuarem como protagonistas na construção de uma sociedade global mais justa com respeito a diferenças, sendo a internet uma ferramenta que possibilita a produção e acesso ao conhecimento de todos e a todos.
Mais informações:

www.ivoz.org.br
www.nucleofortec.org.br/
http://etnodesenvolvimento.wordpress.com
http://etnodesenvolvimento-esteticanegra.blogspot.com/

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Atividades do Movimento Nossa SP no FSM

Dia 30/1, das 15h30 às 18h30
Local: Universidade Federal Rural - Auditório da Prefeitura (Prédio da Prefeitura)
Parceria: Rede Social Brasileiras por Cidades Justas e Sustentáveis

Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e Rede Latinoamericana por Cidades Sustentáveis.

Frei Betto, o escritor e religioso dominicano, e Michael Lowi, cientista social brasileiro radicado na França, farão a palestra de abertura, cujo tema será o “Ecosocialismo”. O encontro contará com a apresentação de experiências de municípios brasileiros e latinoamericanos que participam das redes brasileira e latinoamericana por cidades justas e sustentáveis.

Dia 31/1, às 15h30 às 18h30
Local: Universidade Federal Rural – Auditório da Medicina VeterináriaParceria: Fórum Amazônia Sustentável e Movimento Nossa São Paulo

Conexões sustentáveis: Quem se beneficia com a destruição da Amazônia: apresentação de estudo que mostra como a cidade de São Paulo, principal mercado consumidor brasileiro, também é responsável pela destruição da Amazônia. Como produtores que atuaram de forma predatória contra o meio ambiente ou utilizaram trabalho escravo mantêm negócios com redes varejistas, indústrias automobilísticas e a construção civil da capital paulista. Também serão apresentados exemplos que mostram como o mercado global se beneficia da degradação da floresta e de sua gente.

Animadores/Palestrantes: Oded Grajew (Movimento Nossa São Paulo), Caio Magri (Fórum Amazônia Sustentável e Instituto Ethos), Marques Casara (Papel Social) e Leonardo Sakamoto (Repórter Brasil).


Secretaria Executiva do Movimento Nossa São Paulo
www.nossasaopaulo.org.br
Telefone: 3894-2400

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Novo Tópico no Blog: Biblioteca Digitais Livres

A partir dos avanços do mundo virtual um conjunto de páginas eletrônicas foram criadas buscando o incentivo a leitura e a democratização de conhecimentos e informações.

Assim, o Blog Juventude Solidária disponibiliza em sua página um conjunto de Bibliotecas Virtuais, que versam sobre diversos campos do conhecimento: Sociologia, Política e Literatura. Dando destaque para as Bibliotecas que buscam a divulgação de pensamentos e idéias que buscam superar a atual sociedade fundado na exploração e na desigualdade social.

Boas Leituras!!!!!!

Atividades da UNISOL Brasil no FSM

Convite para participar das atividades desenvolvidas pela UNISOL Brasil no Fórum Social Mundial 2009, em Belém - PA

PROGRAMAÇÃO:

Seminário: Estratégias para comercialização: Fortalecimento de redes e cadeias produtivas.

Data: 29/01
Local: UNIVERSIDADE UFRA, Prédio Central - Bloco C, sala C002.
Horário: TURNO 3 (15h30 às 18h30).
Organização Proponente: Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários - UNISOL Brasil

Eixo: 8 - Pela construção de uma economia democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio ético e justo, centrada em todos os povos.

Parcerias: SEBRAE Nacional, PETROBRÁS, FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Interlocutores: Nelsa Fabian Nespolo - RS (Cooperativa Univens, Cadeia Justa Trama e Diretora UNISOL Brasil) Marcelo Gomes Rodriguez – SP (Cooperativa Integra, Instituto Integra e Diretor UNISOL Brasil), Maria Dalvani de Souza – RO (Cooperativa Açaí, Cadeia Justa Trama, Cadeia Sementes, Diretora UNISOL Brasil).

Seminário: Parcerias Internacionais: Solidariedade Norte/Sul
Data: 30/01
Local: UNIVERSIDADE UFPA Profissional, Pavilhão AP, Sala ap 01.
Horário: TURNO 1 (8h30 às 11h30).
Organização Proponente: Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários - UNISOL Brasil

Eixo: 8 - Pela construção de uma economia democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio ético e justo, centrada em todos os povos.

Parcerias: CONOSUD (Espanha) Nexus/Iscos (Itália) CGIL (Itália) CSIL (Itália) ICCO (Holanda).

Interlocutores: Arildo Mota Lopes (Cooperativa Central Uniforja, Presidente UNISOL Brasil), Marcelo Gomes Rodriguez (Cooperativa Integra, Instituto Integra e Diretor UNISOL Brasil), Nelsa Fabian Nespolo (Cooperativa Univens, Cadeia Justa Trama e Diretora UNISOL Brasil), Gabriel Abscal (CONOSUD - Espanha), Sandra Pareschi (Nexus/Iscos – Itália) e Alessia Benizzi (Governo da Região da Emilia Romagna – Itália).

O território do Fórum Social Mundial 2009 compreenderá a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e a Federal do Pará (UFPA).
Endereço: Avenida Perimetral, Bairro da Terra Firme, Belém, Pará, Brasil.

Seminário Internacional - ECOSOL e o Socialismo do Século XXI










FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2009
Seminário internacional discute economia solidária e o socialismo do século 21


A construção de uma globalização solidária, que respeite os direitos humanos universais, com livre circulação dos povos e dos saberes, é o grande desafio a ser encarado por todos aqueles que vêm contribuindo para a consolidação do Fórum Social Mundial (FSM) como espaço de antagonismo, mas também de proposições. Quando o FSM nasceu, em 2001, como contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, o neoliberalismo ainda era cantado em prosa e verso e o pensamento único vicejava nos quatro cantos do mundo. Oito anos depois, a doutrina do livre mercado não só perdeu força como está em descrédito com a ruína do sistema financeiro internacional.

É nesse contexto que será realizado o “Seminário Internacional Economia Solidária e a Revolução Social Socialista no Século 21”, como parte da programação do FSM 2009. O seminário marca os 10 anos da publicação de Uma utopia militante - Repensando o socialismo, do professor Paul Singer, atual secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE) . A conferência será realizada a partir da exposição, pelo professor Singer, da tese que compõe a sua obra Uma Utopia Militante. Participam do evento, como debatedores, Thomas Coutrot (França) e Rosa Guillén, da Red Latinoamericana Mujeres Transformando a Economía (REMTE) do Peru. O Seminário será realizado dia 30, das 15h30min às 18h30min, na sala 001 do Prédio Central (bloco C), na Universidade Federal Rural do Pará (UFRPA).

A reflexão de Singer sobre a Economia Solidária, na atualidade, está inserida em sua tese sobre a Revolução Social Socialista. A partir de sua caracterização como prática que surge dos(as) próprios(as) trabalhadores( as) no contexto do capitalismo contemporâneo, essa “outra economia” possibilita o surgimento de novos paradigmas e estratégias para construção do socialismo ao resgatar temáticas que foram suprimidas do pensamento socialista mais ortodoxo, como a economia dos livres produtores associados.

O “Seminário Internacional Economia Solidária e Revolução Social Socialista no Século 21” é promovido pela Associação Brasileira de Entidades de Apoio e Fomento à Economia Solidária (Abesol), instituição criada em 2007 e que congrega 17 entidades em nove estados brasileiros.


Seminário Internacional

A Economia solidária e a Revolução Social Socialista do século XXI
Painel de abertura: Prof. Paul Singer
Exposição da tese que compõe sua obra: Uma utopia militante - Repensando o socialismo, e debate com teóricos(as) sobre o papel da Economia Solidária na construção de uma sociedade socialista

Debatedores:

Thomas Coutrot- Economista (França)
Rosa Guillén- Red Latinoamericana Mujeres Transformando la Economía-REMTE / Peru

Data: 30/01/2009- sexta-feira- 15h30min às 18h30min
Local: UFRA - Prédio Central - Bloco C , Sala 001

Notícias do Fórum de ECOSOL de SBC


Por: Paulo Silva Jr. (paulo@abcdmaior.com.br)

Oficina teve participação de pessoas já organizadas em algum tipo de empreendimento. Unisol realizou oficina que recebeu interessados em conhecer iniciativas.

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), centros de cooperativas e colaboradores de empreendimentos solidários lançaram neste sábado (24/01) o Fórum Municipal de Economia Solidária de São Bernardo, no Centro de Formação Profissional Padre Leo Comissari.
O evento contou com uma feira de economia solidária, que levou exemplos práticos de iniciativas do setor, além de clube de trocas e uma oficina comandada pela Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários).

“A intenção é divulgar o trabalho da central de empreendimentos, orientar e receber novas iniciativas que podem contribuir no fortalecimento das cooperativas e do conceito de economia solidária”, disse Mariléia Hillesheim, assessora técnica da Unisol.
A oficina teve a participação de pessoas já organizadas em algum tipo de empreendimento solidário e também de moradores da Região interessados em entender o modelo. “Não integro nenhuma instituição, mas quero fazer parte de uma nova sociedade no futuro, onde o capitalismo pode abrir espaço para a economia solidária”, disse Maria de Lourdes, moradora da Vila São Pedro, em São Bernardo.
Fórum – O órgão pretende mapear as fontes geradoras de renda na cidade e, com a provável fundação de fóruns em Diadema e Mauá, formar uma estrutura regional no ABCD.
Convênio - O prefeito Luiz Marinho assinou, durante o Fórum Municipal de Economia Solidária, um acordo de cooperação entre o município e três cidades da região de Emilia Romagna, na Itália. A parceria tem como objetivo incentivar a economia solidária, o cooperativismo e a inserção do jovem no mercado de trabalho.
O convênio, que além de São Bernardo terá a participação de Imola, Lugo e Castel Bolognese, da Itália, prevê ações direcionadas para a promoção humana e o resgate da cidadania, com a troca de experiência e informações nas áreas econômica, social e educacional, entre outras, voltadas para a economia solidária.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Atividades Importantes no FSM

O Instituto Isaac Akcelrud, entidade animada por militantes da Democracia Socialista, estará promovendo um debate durante o Fórum Social Mundial. Além disso, elaboramos uma proposta de atividades de movimentos sociais e entidades parceiras como sugestão àqueles que irão até Belém.

Instituto Isaac Akcelrud convida:

Perspectivas das experiências de transição na América LatinaSexta,
dia 30 às 15h30minUFRA - Tenda Povos da Floresta

Coordenação:Nalu Faria - Instituto Isaac Akcelrud - BrasilDebatedores:Raul Pont - Partido dos Trabalhadores - BrasilHector Fraginals - Partido Comunista de CubaAntônio Vadell Mezzetta - MPP/Frente Amplo - UruguaiFermin - PDA/Presentes por el Socialismo - ColômbiaIsaac "Yuyo" Rudnik - Libres del Sur - Argentina


PROPOSTA DE ATIVIDADES

27 - TERÇA

15hAtividade: Marcha de Abertura do Fórum Social Mundial 2009Concentração: Escadinha do Cais do Porto

20h às 22hAtividade: Plenária da Juventude da Democracia SocialistaLocal: Alojamento da UEPAProponente: Juventude da Democracia Socialista

28 - QUARTA


15h30min às 18h30minAtividade: Mulheres em Marcha! Construindo a ação internacional de 2010Local: UFRA - Tenda Direito Coletivo dos Povos e Nações Sem EstadoProponente: Marcha Mundial das Mulheres

15h30min às 18h30minAtividade: Diálogos com os Movimentos de Juventude pelo Meio AmbienteConvidados(as): Marina Silva (Senadora PT/AC), Leonardo Boff (Teólogo), Gabriela Batista (Terrazul/REJUMA), Rangel Arthur (MEC) e CJ ParáLocal: UFRA - Multiuso IIIProponente: REJUMA e Associação Alternativa Terrazul

15h30min às 18h30minAtividade: Juventude, Saúde e Meio Ambiente na Organização SindicalLocal: UFPA, Prédio Central, Bloco BProponente: CUT

16h às 19hAtividade: Câmbio climático e Desenvolvimento SustentávelLocal: UFPA, Tenda Mundo do TrabalhoProponente: CSI/CSA, CUT, UGT, FS, ISP

20h às 22hAtividade: Plenária do Movimento KizombaLocal: Alojamento da UEPAProponente: Movimento Kizomba

29- QUINTA

08h30min às 11h30minAtividade: O papel da juventude na integração Latino-americanaLocal: Tenda de Convergência no Acampamento de JuventudeProponente: Foro de São Paulo

08h30min às 11h30minAtividade: Energia, soberania e trabalho decente - perspectivas para o Desenvolvimento SustentávelLocal: UFPA - Tenda Mundo do TrabalhoProponente: CUT

08h30min às 11h30minAtividade: Crítica feminista e lutas anti-sistêmicas: Trajetória recente na América LatinaLocal: UFRA, Palco Central, AnfiteatroProponente: Marcha Mundial das Mulheres e Pañuelos en Rebeldía

12h às 18h30minAtividade: Encontro das lutas juvenisLocal: Tenda de Convergência no Acampamento de JuventudeProponente: Fórum Nacional de Movimentos e Organizações Juvenis/Brasil

12h às 15hAtividade: Crítica feminista e lutas anti-sistêmicas: Desafios no processo de ArticulaçãoLocal: UFRA, Palco Central, AnfiteatroProponente: Marcha Mundial das Mulheres e Pañuelos en Rebeldía

14h30min às 18hAtividade: Debate dos Presidentes Evo Morales (Bolívia), Hugo Chaves (Venezeula) e Rafael Correa (Equador) com os Movimentos SociaisLocal: Proponente:

14h às 16hAtividade: A tripla criseLocal: UFPA - Tenda Mundo do TrabalhoProponente: CSI/CSA, CUT, UGT, FS, ISP

15h30min às 18h30minAtividade: Equidade de Gênero e Igualdade de oportunidades e de salárioLocal: UFPA, Básico, Pavilhão Bb, Sala B4Proponente: ISP, CUT, FS, UGT, FES

15h30min às 18h30minAtividade: A alternativa EcossocialistaConvidados(as): Joel Kovel (escritor, EUA), Michael Lowy (França/Brasil), Derek Wall (Partido Verde do Reino Unido), Pedro Ivo Batista (Rede Brasileira de Ecossocialistas) e João Alfredo (Rede Brasileira de Ecossocialistas)Local: UFRA - Multiuso IProponente: Rede Ecossocialista Internacional e Rede Brasileira Ecossocialista

15h30min às 18h30minAtividade: As perspectivas dos pequenos produtores familiares e das populações tradicionais no cenário atual do desenvolvimento do capitalismo na AmazôniaConvidados(as): Maria José Barbosa, Armando Lírio, Walmir OrtegaLocal: UFPA, MP12Proponente: Sociedade de Economia Política (SEP) e IDESP

15h30min às 18h30minAtividade: A participação da mulher na políticaConvidados(as): Dilma Rousseff (Ministra-Chefe da Casa Civil), Ana Julia Carepa (Governadora do Pará), Fátima Cleide (Senadora PT/RO) e Laisy Morière (Secretária Nacional de Mulheres do PT)Local: Tenda Cuba 50 anosProponente: Fundação Perseu Abramo

16h30min às 19hAtividade: Migração Laboral: impacto sobre o desenvolvimentoLocal: UFPA - Tenda Mundo do TrabalhoProponente: CSI/CSA, CUT, UGT, FS, ISP

19hAtividade: Atividade com Lula e os Presidentes Evo Morales (Bolívia), Hugo Chaves (Venezeula) e Rafael Correa (Equador)Local: Proponente: Comitê Organizador do FSM

30- SEXTA

08h30min às 11h30minAtividade: Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS) :Saúde, Cultura e DemocraciaConvidados(as): Prof. Boaventura de Souza Santos Local: Espaço Cultura e Saúde no Acampamento de JuventudeProponente: Universidade de Coimbra Portugal, Departamento de Saúde Coletiva - UNB e UFG, ANEPS, MOPS

08h30min às 11h30minAtividade: Somos mulheres e não mercadoriaLocal: Sala Andiroba, Prédio Central, Bloco C, TérreoProponente: Coletivo de Mulheres DCE UCS e Marcha Mundial das Mulheres

08h30min às 11h30minAtividade: Por que querem controlar a Internet?Local: Tenda ArgonautasProponente: Projeto Software Livre Brasil

08h30min às 11h30minAtividade: Orçamento Participativo: Experiência na sociedade e na universidadeLocal: Tenda do Movimento EstudantilProponente: Diretório Central de Estudantes da UCS

08h30min às 11h30minAtividade: Ato da Associação Alternativa Terrazul e Alternatives em solidariedade a PalestinaConvidados(as): Participação de militantes de Jerusalém, da Palestina, do Marrocos e outros paísesLocal: UFRA, Tenda Multiuso IIIProponente: Associação Alternativa Terrazul e Alternatives Internacional

08h30min às 11h30minAtividade: Gênero, Trabalho e Movimento SindicalLocal: UFPA, Básico, Ab, A3Proponente: CUT, CSN Quebec e Comissões Obreras da Espanha

12h às 15hAtividade: A luta em defesa do meio ambiente na perspectiva dos movimentos sociais e da Ecologia Social (Lançamento do Portal Ecomunidades, e da Cartilha A Crise Ambiental Planetária e o Ecossocialismo)Convidados(as): Gabriela Batista (Terrazul), Carlos Siqueira (Argonautas e FOBOMS), Nalu Faria (Brasil – MMM), Moussa Tchangari (África) e Julio Barbosa (Vice presidente dos Conselho Nacional de Seringueiros) Local: UFRA, Tenda Multiuso IIIProponente: Associação Alternativa Terrazul

12h às 15hAtividade: Assembléia Mundial dos Movimentos SociaisLocal: Núcleo Pedagógico IntegradoProponente:

12h às 15hAtividade: Desmercantilização da educação e agenda pós neoliberalLocal: Tenda Verequete no Acampamento de JuventudeProponente: DCE da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

14h às 16hAtividade: Direitos sindicais e trabalhistasLocal: UFPA - Tenda Mundo do TrabalhoProponente: CSI/CSA, CUT, UGT, FS, ISP

15h30min às 18h30minAtividade: Perspectivas das experiência de transição na América LatinaConvidados(as): Nalu Faria (Instituto Isaac Akcelrud), Raul Pont (Deputado Estadual PT/Brasil), Hector Fraginals (Partido Comunista de Cuba), Antônio Vadell Mezzetta (Movimento de Participação Popular - Frente Amplo - Uruguai), Fermin (Polo Democrático Alternativo/Presentes por el Socialismo - Colômbia) e Isaac "Yuyo" Rudnik (Libres del Sur - Argentina)Local: UFRA - Tenda Povos da FlorestaProponente: Instituto Isaac Akcelrud

15h30min às 18h30minAtividade: A ilegalidade do aborto ameaça a vida das mulheresLocal: UFRA, Tenda Multiuso IProponente: Frente contra a criminalização das mulheres e pela legalização do aborto

15h30min às 18h30minAtividade: A defesa da Amazônia: A crise ambiental planetária e as alternativas da Ecologia socialConvidados(as): Leonardo Boff (Teólogo), Marina Silva (Senadora PT/AC), Vinod Raina (Índia) Local: UFRA, Tenda Multiuso IIIProponente: Associação Alternativa Terrazul

15h30min às 18h30minAtividade: Juventude do campo e da cidade na luta por trabalho e rendaLocal: Tenda de Convergência no Acampamento de JuventudeProponente: Juventude da FETRAF, Movimento Amazônico Rural e Urbano (MARU) e União da Juventude do Campo e da Cidade (UJCC)

15h30min às 18h30minAtividade: Projetos de controle da Internet no mundoLocal: UFPA Profissional, Ap, Ap06Proponente: NIC.br, CGIBr, ASL, Somos Libres Peru

15h30min às 18h30minAtividade: Seminário Internacional: Economia Solidária e a Revolução Social Socialista do século XXILocal: UFRA, Prédio Central, Bl. C, 001Proponente: Associação Brasileira de entidades de apoio e fomento à Economia Solidária - ABESOL

15h30min às 18h30minAtividade: Saúde do TrabalhadorLocal: UFPA, Pavilhão KP, sala KP06Proponente: CUT

16h30min às 19hAtividade: Comércio e Trabalho decenteLocal: UFPA, Tenda Mundo do TrabalhoProponente: CSI/CSA, CUT, UGT, FS, ISP

20hAtividade: Plenária da Mensagem ao PartidoLocal: Auditório da Escola de Governo do ParáProponente: Mensagem ao Partido

31 - SÁBADO

08h30min às 11h30minAtividade: Plenária dos militantes da JDS que atuam na Juventude do PTLocal: Proponente: Juventude da Democracia Socialista

12h às 15hAtividade: O Capitalismo contra a Natureza (Lançamento do livro "The Enemy of Nature", de Joel Kovel)Convidados(as): Joel Kovel (escritor, EUA), Temístocles Marcelos (Rede Brasileira de Ecossocialistas), Joaquim Nieto (Sustainlabor, Espanha), Perisa Turner (Universidade Guelph, Canadá)Local: UFRA, Multiuso IIIProponente: Rede Ecossocialista Internacional e Rede Brasileira Ecossocialista

12h às 15hAtividade: Batucada FeministaLocal: Tenda Mestre Vieira no Acampamento de JuventudeProponente: Marcha Mundial das Mulheres

12h às 15hAtividade: Mundo do Trabalho, Tecnologia e Sustentabilidade: um diálogo possível?Convidados(as): José Raimundo Trindade, Ana Paula Bastos, José Pont VidalLocal: UFPA, MP09Proponente: Sociedade de Economia Política (SEP) e IDESP

15h30min às 18h30minAtividade: A crise econômica mundial e a nova ordem financeira internacionalConvidados(as): Paul Cooney, Claudio Puty, Adalmir MarquettiLocal: UFPA, EP09Proponente: Sociedade de Economia Política (SEP) e IDESP

01 - DOMINGO

ManhãAtividade: Assembléia dos movimentos, redes e entidadesLocal: Proponente:

ManhãAtividade: Assembléia pela legalização do abortoLocal: Proponente:

15hAtividade: Assembléia das Assembléias e EncerramentoLocal: Proponente:

02 - SEGUNDA

9h às 18hAtividade: II Encontro Internacional de EcossocialistasLocal: SindMeta - Rua Boaventura da Silva, 999, UmarizalProponente: Rede Ecossocialista Internacional e Rede Brasileira Ecossocialista

sábado, 24 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Gaza: mais um capítulo no holocausto palestino


Após 13 dias de massacre, 763 palestinos já morreram e mais de 3200 foram feridos. Um terço das vítimas são crianças. O lado israelense, no mesmo período, perdeu 10 vidas, 8 dos quais são soldados. Estamos falando de dois povos, um invadido e ocupado militarmente pelo outro. Um tem o 4º exército mais forte do planeta. O outro nem exército tem. A análise é de Mohamed Habib, professor e Pró-reitor de Extensão da Unicamp e vice-presidente do Instituto da Cultura Árabe. (Agência Carta Maior)
Mohamed Habib (*)



Tudo é calculado. Tudo é estrategicamente planejado. Tudo é eficientemente articulado, para que, hoje, possamos assistir a mais um massacre do povo palestino. Agora é na Faixa de Gaza. Quando Theodor Herzl, o pai intelectual do sionismo, publicou o seu famoso livro “O Estado Judeu”, em 1896 , que levou à formação da Organização Sionista Mundial (OSM), criada no Primeiro Congresso Sionista, realizado em 1897, todo o plano começou a ser criado.


Nesse congresso decidiu-se pela criação de um estado judeu na Palestina no prazo de 50 anos. Que precisão! Mas que precisão? A Resolução 181 da ONU, do dia 29 / 11/ 1947, concedeu 53% da Palestina à comunidade judaica para a criação do Estado de Israel, enquanto o restante (47%) seria suficiente para os palestinos. Embora todos os países árabes, incluindo o estado palestino, estivessem ocupados militarmente pela Inglaterra, França, Espanha e Itália, foram contra a resolução da ONU. Para saber o que de fato aconteceu naquele período de 50 anos, que terminou com a criação do Estado de Israel, algumas datas nunca devem ser esquecidas.


Os massacres que o povo palestino sofreu dos grupos armados da comunidade judaica na Palestina nos anos 30 e 40. Os grupos armados “Irgun” e “Stern Gangs”, tanto quanto a Agência Judaica por Israel (AJI), foram considerados pelo governo britânico, no dia 24 de julho de 1946, como organizações terroristas devido aos massacres e à expulsão de palestinos de seus lares, cidades e lavouras.Outra data é 1917, na qual o Ministro do Exterior da Inglaterra, Artur Balfour, conseguiu aprovar no Congresso britânico a sua proposta de apoiar o projeto sionista de criação de um estado judeu na Palestina.


A manifestação ganhou, desde então, o rótulo de “Declaração Balfour”. Uma outra data é 1922, na qual a Liga das Nações aprovou o “mandato britânico na Palestina”, nome pomposo e um eufemismo para uma ocupação militar daquele país. E os britânicos anunciaram que sairiam da Palestina no prazo de duas décadas; até lá os palestinos estariam em boas condições para, autonomamente, governar o seu país. Os britânicos anunciaram, no dia 13 de maio de 1947, a sua retirada da Palestina. No dia seguinte, 14 de maio, foi proclamado o estado de Israel pelos líderes da comunidade judaica na Palestina. E, começou a novela dos massacres, desde então, realizados pelo exército israelense.É um fantástico plano de expansão territorial, que dá de dez a zero no plano norte-americano de expansão territorial nas direções Oeste e Sul, no início e meados do século XIX, que aniquilou os povos indígenas e os mexicanos. Desde 1967 até hoje, a área sobre a qual o estado israelense está instalado, equivale a 78% da original Palestina. E, ainda, desde a mesma data, o restante (22%), onde, hoje, vivem os palestinos, é ocupado militarmente pelo exército israelense, e os massacres nunca pararam. Esses territórios palestinos são chamados pela ONU de “territórios palestinos ocupados”. O pior é que essa porcentagem de 22%, onde os palestinos “vivem”, é dividida em duas áreas totalmente isoladas uma da outra sem nenhum contato. O palestino não tem o direito de se deslocar de uma área para outra, para visitar os seus familiares. Ainda mais: cada uma dessas duas áreas recebeu dezenas de assentamentos e colônias, que pela “lei” israelense se tornam territórios israelenses, com estradas que se interligam e que são, também, considerados territórios israelenses, onde o palestino não pode pisar e muito menos atravessar. Resultado: o povo palestino está totalmente fragmentado, sem infra-estrutura mínima, sem exército e sem autonomia; enfim, uma nação em que a vida de seus habitantes não vale mais nada. Mas como a dignidade ainda não foi atingida, essa vida, que não vale mais nada, começa a ser usada nos momentos de desespero até mesmo como veículo explosivo contra alvos israelenses.Ao longo das décadas, a tática é a mesma: efetuar, periodicamente, uma grande ofensiva; o mundo se assusta, mas esquece de discutir o conflito desde o seu início e tenta resolver apenas essa nova situação. Israel abre mão de uma parte do território conquistado na ofensiva, e, injustamente, conquista outro. O mais interessante refere-se aos acordos bilaterais firmados entre Israel e governantes árabes, alguns dos quais corruptos. A cláusula principal determina o não envolvimento destes em qualquer conflito entre Israel e qualquer outro país árabe, principalmente o conflito com os palestinos. É isto que deixa o Egito, além de vários outros países, com as mãos amarradas, sem poder fazer absolutamente nada diante de cada operação de massacre que os palestinos sofram.Com a esperada posse de Barack Obama, marcada para o dia 20 de janeiro de 2009, e com a aproximação da data das eleições para o legislativo israelense, marcada para o dia 10 de fevereiro, é fundamental aproveitar as duas oportunidades para a consolidação de conquistas e assegurar uma governabilidade mais segura dentro de Israel.


É uma tática a mais, presente no massacre de Gaza.As eleições em Israel, que seriam realizadas em 2010, foram antecipadas, devido ao fracasso da líder do partido governista, o Kadima, Tzipi Livni, em formar uma coalizão de governo. "É importante que novas eleições sejam realizadas o mais rapidamente possível para reduzir incertezas, devido aos sérios desafios políticos, econômicos e de segurança que Israel tem", disse o porta-voz do Kadima, Smulik Dahan. De um lado, Obama chegando ao poder com Gaza invadida, daria a ele a condição de convencer Israel a sair, mediante condições muito mais desfavoráveis contra os palestinos. A saida, após Gaza arazada e massacrada, favoreceria a formação de uma coalizão de governo israelense mais viável para os próximos anos. Assim é que foi planejada a atual “operação massacre” de Gaza. O comando israelense resolveu dar início ao seu projeto de limpeza étnica nesse território palestino, no qual, através do terror, mata uma boa parte dos palestinos em poucas semanas e expulsam o restante para o Egito.


Em todos os dias do massacre, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, milhares de panfletos foram jogados por helicópteros israelenses nas diferentes cidades da Faixa de Gaza pedindo a saída da população e a evacuação de todo o território palestino. É mais um crime de guerra que o estado sionista vem cometendo para manchar, cada vez mais, a sua história e levar qualquer cidadão comum a perguntar: é possível que um povo que sofreu com o Holocausto nazista da Alemanha, permita que os seus governantes cometam crimes semelhantes contra crianças e civis indefesos de um outro povo?Após 13 dias de massacre, 763 palestinos já morreram e mais de 3200 foram severamente feridos. Um terço das vítimas são crianças abaixo de 12 anos. O lado israelense, no mesmo período, perdeu 10 vidas, 8 dos quais são soldados. Estamos falando de dois povos, um invadido e ocupado militarmente pelo outro. Um tem o 4º exército mais forte e mais equipado do planeta. O outro nem exército tem. Um tem armas nucleares, aviões F-16 tanques e helicópteros militares de última geração. O outro sequer granada manual pode ter. Os grupos populares palestinos de resistência à ocupação estão sendo chamados pelo governo sionista, lamentavelmente, de terroristas. Parece-me que o estado israelense quer convencer o mundo de que os palestinos não podem ter o direito de se defender da violência e da barbárie, e sim a obrigação de morrer em silêncio. Aliás, sob o som dos bombardeios e dos mísseis israelenses, porém sem reclamar. Mais uma página da história da humanidade está sendo escrita, hoje com o sangue palestino. Certamente chegará o dia em que futuras gerações judias sentirão vergonha de ter tido em seu estado judaico, governantes que não respeitaram um dos mais importantes mandamentos que Moisés trouxe para a humanidade; isto é: não matarás.


(*) Mohamed Habib é Professor Titular e Pró-Reitor de Extensão da Unicamp, atua na área do meio ambiente e das Relações Internacionais. É Vice-Presidente do Instituto da Cultura Árabe (ICArabe)


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Agenda 2009 - Rede de Saúde Mental e ECOSOL

Agenda 2009

A Rede de Saúde Mental e ECOSOL começa 2009 tendo uma reunião por mês. E já inicia com a organização de um Curso de Formação de 25 multiplicadores, que irão buscar fortalecer os projetos e empreendimento da saúde mental.

Janeiro 16 – sexta-feira - 16h - CAPS Itapeva
Fevereiro 18 – quarta-feira - 16h - CAPS Itapeva
Março 20 – sexta-feira - 16h - CAPS Itapeva
Abril 15 – quarta-feira - 16h - CAPS Itapeva
Maio 15 - sexta-feira - 16 h - CAPS Itapeva
Junho 17 - quarta-feira - 16 h -CAPS Itapeva

Endereço: CAPS Itapeva - Rua Carlos Comenale, 32 (atrás do MASP e próximo ao metrô Trianon)

Agenda 2009 - GT Produção, Comercialização e Consumo

Agenda 2009

As reuniões do GT PCC´s (produção, comercialização e consumo) do Fórum Paulista de ECOSOL serão realizadas na primeiras quintas do mês as 17h na ANTEAG (Rua Mauá 842 casa 29 - saída da Estação Luz - Rua Florêncio de Abreu).

Com exceção de janeiro que vamos realizar na segunda.

08 de janeiro
05 de fevereiro
05 de março
02 de abril

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

FSM de Belém: a hora das alternativas

Emir Sader


O Fórum Social Mundial surgiu como alternativa ao Fórum Econômico de Davos, no auge do neoliberalismo no mundo. Primeiro houve as manifestações anti-Davos, na Suíça, até que os movimentos de resistência ao neoliberalismo - conforme proposta de Bernard Cassen - se propuseram a organizar um Forum Social Mundial, antagônico ao de Davos. Porto Alegre foi escolhida como sede, por estar na periferia do capitalismo – vitima preferencial das políticas neoliberais -, na América Latina – onde se desenvolviam lutas importantes de resistência, como a dos zapatistas, do MST, dos movimentos indígenas na Bolívia e no Equador, entre muitos outros –, no Brasil, pela importância que a esquerda brasileira passou a ter – com forças como o PT, a CUT, o MST, entre outras – e em Porto Alegre, pelas políticas de orçamento participativo.Os fóruns se caracterizaram pela afirmação de que "Outro mundo é possível", diante da tentativa do "pensamento único", do "Consenso de Washington" e do "fim da História", de que as alternativas políticas deixariam de ter vigência diante de um modelo, que se pretendia incontornável, de "ajustes fiscais".
A adesão de muitas forças políticas – de direita primeiro, depois nacionalistas e social democratas – ao mesmo modelo, poderia induzir à confirmação dessa via única.O FSM se opunha frontalmente a essa interpretação reducionista, propondo-se a agrupar todas as forças de oposição ao neoliberalismo – cuja abrangência tinha sido confirmada pelas manifestações contra a OMC, começando por Seattle e estendendo-se depois por muitas outras cidades -, intercambiar experiências e coordenar suas lutas.Numa primeira etapa, se tratou das lutas de resistência à "livre circulação do capital", à ditadura da economia sobre a esfera social, ao mundo unipolar imperial estadunidense, à devastação ambiental, ao monopólio privado da mídia – entre tantas outras lutas.
As mobilizações contra a guerra do Iraque foram o ponto mais alto dessa etapa – mesmo se as ONGs, predominantes na organização dos Fóruns, resistissem sempre à inclusão do tema da guerra e da paz na agenda principal dos encontros.As sucessivas crises neoliberais – da mexicana à argentina, passando pela asiática, pela russa, pela brasileira – levaram ao esgotamento do modelo neoliberal e começaram a surgir governos eleitos nessa onda – começando pelo de Hugo Chavez, em 1988, sucedido pela impressionante sucessão de presidentes latino-americanos - Lula, Kirchner, Tabaré, Evo, Rafael Correa, Fernando Lugo - que expressavam a disputa pela hegemonia, que se passava a se colocar como central na luta contra o neoliberalismo.Os Fóruns passaram a ter que enfrentar novos dilemas: que atitude tomas diante desses governos, que passaram a representar a avançada na luta contra o neoliberalismo e pela construção de alternativas a esse modelo? Não estavam preparados, porque tinha se organizado para a fase de resistência, limitando sua ação a uma suposta "sociedade civil", excluindo a esfera política – e, com ela, os partidos, o Estado, os governos, a estratégia. Nesse marco, os Foruns foram girando em falso, deixando de ser o ponto mais alto na luta anti-neoliberal, transferido para governos, de maior ou menor ruptura com esse modelo.
O próximo Fórum, significativamente realizado na America Latina – elo mais fraco na cadeia neoliberal – tem a possibilidade de superar esse descompasso e redefinir sua esfera de atuação – tanto em relação a restabelecer, de outra forma, as relações entre a esfera social e a política, única forma de disputar uma nova hegemonia, de lutar realmente pela construção do "outro mundo possível", como na luta contra as guerras imperiais estadunidenses. Seu cenário latino-americano favorece a forte marca continental que deve ter, com análise e balanço dos 10 anos transcorridos desde a eleição do primeiro governo alternativo no continente.Por isso, serão temas centrais no Forum de Belém, uma nova arquitetura financeira mundial, a definição de plataformas pós-neoliberais, a construção de processos de paz justos nos epicentros da "guerra infinita" – Iraque, Afeganistão, Palestina, Colômbia -, o avanço na organização da imprensa pública alternativa, os caminhos da luta por um mundo multipolar – entre tantos outros. É o momento da construção de alternativas concretas ao neoliberalismo – a nível mundial, regional e local.
É oportunidade do Fórum se reciclar e se colocar à altura do maior desafio que se coloca à esquerda na entrada do novo século. A América Latina tem avançado significativamente nessa direção. Resta ao FSM aceitar o desafio e reinsentar-se claramente na construção do "outro mundo possível", que já começou, neste lado do mundo, justamente onde o FSM escolheu para sua sede privilegiada.