Outra Economia Acontece

Loading...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Banco do Povo amplia o Crédito Solidário em Santo André

Empreendedores da periferia têm crédito no Banco do Povo

Por: Vinicius Morende (vinicius@abcdmaior.com.br)

Modalidade de concessão de empréstimos, comum no Nordeste brasileiro, reduz inadimplência
Uma modalidade boliviana de concessão de crédito solidário, também muito comum no Nordeste brasileiro, ajuda cada vez mais moradores das periferias do ABCD a melhorarem de vida. São os grupos solidários, formados geralmente por pequenos comerciantes informais que se unem para tomar empréstimos enquanto cooperam entre si.

O programa é desenvolvido pelo Banco do Povo - Crédito Solidário e a ideia é simples: emprestar dinheiro para quem não tem garantias, avalista ou fiador. O interessado, então, forma um grupo com outras pessoas com o mesmo objetivo e compartilha a responsabilidade de quitar as parcelas da dívida em dia, nem que tenha de ser socorrido pelos parceiros.

A instituição financeira aponta que, em pouco mais de um ano e meio de implementação, os grupos solidários se tornaram a "menina dos olhos" do banco. Só em 2008, o Banco do Povo – Crédito Solidário realizou 1.364 operações do tipo num total de R$ 1,06 milhão emprestados, cerca de 43% das operações do ano passado.

Para o coordenador do banco, Almir Pereira, a instituição deve reforçar a atuação com os grupos solidários nos próximos anos. "Pois, assim, temos certeza que estarmos atendendo os mais pobres", afirma.

Como funciona - A concessão de crédito é gradativa, de acordo com o histórico do credor, e restrita aos empreendimentos com seis meses de atividade. Os limites individuais são de R$ 50 e R$ 5 mil. Ao receber um pedido de financiamento, o Banco do Povo realiza o levantamento do empreendimento. A comparação das análises entre empréstimos fez a instituição verificar que a maioria das pessoas dobra a renda após tomar dinheiro emprestado.

O gerente operacional do banco, Fábio Maschio, cita o caso de uma confeiteira que vendia bolos para a comunidade e, com o apoio do grupo, montou um estabelecimento aberto ao público, aumentando o movimento. "Isso melhora a autoestima das pessoas. Notamos que eles se alimentam melhor, comem melhor e investem melhor na educação dos filhos", afirmou.
Empreendedores - De acordo com o gerente 80% dos participantes dos grupos solidários são proprietários de pequenos comércios.

Um deles é Rafael Chaves, dono de mercearia no Jd. do Estado, em Santo André, que dobrou as vendas com os empréstimos do Banco do Povo comprando mercadorias. "Vendo doces, sorvetes, gelinho, etc. Os empréstimos estão vindo muito bem", afirma.

Inadimplência - Se considerarmos que os grupos do ABCD são formados por pessoas físicas, por serem informais, a inadimplência deles, cerca de 0,5%, é 14 vezes menor do que a média do mercado. Ao levar em conta que são pessoas jurídicas, o resultado é que emprestar dinheiro para os grupos solidários é quatro vezes menos arriscado que para pessoas jurídicas formais. Vale lembrar que a alta inadimplência de proprietários norte-americanos desencadeou a crise financeira mundial.

Nova Harmonia - Entre mais de uma centena de grupos solidários ligados ao Banco do Povo – Crédito Solidário, está o Nova Harmonia, de Santo André. Um dos quatro pequenos empreendedores, Rafael Chaves, vendia seus produtos na rua quando passou em frente da unidade Vila Luzita da instituição financeira, próxima ao terminal de ônibus. Entrou para ver se vendia algo e saiu com uma ideia. Pouco depois retirava o empréstimo de R$ 1,9 mil, que beneficiou outros três conhecidos seus.

Na ocasião da reportagem do ABCD MAIOR, o grupo acertava os detalhes do terceiro acordo, num total de R$ 8,4 mil em empréstimos em pouco mais de 11 meses de união.

Além de Rafael, os outros dois integrantes do Nova Harmonia, José Maria de Moraes e Júlio Carlos dos Santos têm pequenas lojas de variedades em seus bairros.

No caso de Moraes, que vendia produtos nas ruas antes de montar seu negócio, os empréstimos foram utilizados para capital de giro. "Hoje, compro mais mercadorias, vendo e ainda sobram produtos", afirma.

Para o pintor Laerte Antonio da Silva, o dinheiro serviu para comprar um compressor para pintura com revólver, outros equipamentos e ferramentas. "Também montei um showroom, no Jardim Santa Cristina (Santo André). Agora fico na rua e minha esposa na loja", contou.

Dono de uma mercearia, Rafael afirma ter sentido uma boa diferença depois dos empréstimos. "Espero que melhore mais ainda. Não tomo mais empréstimos em outros bancos", afirmou.

Nenhum comentário: